Criamos a ‘Máquina do Tempo’. Faça uma viagem

agosto 13, 2011

Por: Maurício Louro

Máquina do TempoQuase sempre paro para imaginar as coisas que envolvem as experiências mais simples, como assistir a um filme, por exemplo. Fico pensando no estalo inicial, na concretização da história, na criação do roteiro e, depois, na venda para os produtores – no caso, os investidores. Se se compra a ideia que se tornará um filme, acredito que é possível vender qualquer coisa. E mais: se se vende qualquer coisa, estamos livres para produzir o que quisermos.

Tive um pensamento repentino, acompanhado daquela reação imediata de ter vislumbrado algo lógico e possível. Tenho pensado muito em como seria capaz de vender qualquer coisa via web, de ideias a objetos, desde que se crie uma ótica de produto. Refiro-me à web porque o meio permite afinidades antes impossíveis no mundo offline. Quero dizer que há nichos, pessoas diferentes navegando, mas com certeiros pequenos interesses em comum. Por isso me guio pela teoria da Cauda Longa para dizer que tudo se vende na web.

Convenci-me a levar adiante esse meu pensamento, mas precisava testar, ver o efeito de minha ideia na reação de alguém. Estava em casa e resolvi testar com minha mulher, que de nada sabia. Rapidamente criei uma história, baseado no meu pensamento repentino. Contei que havia lido um artigo sobre motivação.

Nele, um agente motivacional dizia que era possível fazer qualquer coisa que se imaginasse, considerando a criatividade e a inteligência humana. Qualquer coisa mesmo. A fim de reforçar o que estava dizendo, propôs a si mesmo a criação de duas coisas aparentemente impossíveis de se criar. Para tornar a situação ainda mais complexa, na primeira experiência quis partir do plano metafísico para o concreto – o que, para ele seria mais difícil – e, na segunda, do plano concreto para o metafísico.

Assim, respectivamente, ele decidiu criar o homem à sua semelhança, como o fez Deus – esta seria a primeira experiência. Depois, daria uma de inventor e criaria uma máquina. Mas não uma máquina qualquer. Criaria a “Máquina do Tempo”, o que seria a segunda experiência. As duas se realizaram.

A primeira realmente foi a mais difícil e levou exatos três anos e dois meses. Foi o tempo necessário para conhecer e se relacionar com a mulher que hoje é mãe de seu filho. Feito isso, em poucos minutos realizou a segunda experiência, com sucesso, criando a máquina do tempo.

Para provar seu feito, sugeriu uma viagem gratuita ao leitor. Havia experimentado e posso dizer que deu certo. Melhor: com um clique posso estender a experiência a quem está lendo esse texto… aqui e agora. É preciso apenas estabelecer o período a ser visitado nessa viagem. Vou sugerir aqui o dia 13 de junho de 1962, dia em que nasci.

Se você está realmente pronto, clique aqui e, faça sua viagem. Se puder, retorne depois para contar como foi a experiência. Mas lembre que qualquer coisa se torna absurda quando  nos colocamos descrentes diante dela.

Minha mulher (sem que lesse esse texto jamais saberia da minha “mentira”) achou o tal artigo genial e adorou a ideia da “Maquina do Tempo”.  O artigo  foi apenas a embalagem de uma ideia repentina. Jamais existiu. Só quis provar que posso vender qualquer coisa que imaginar. No entanto, como trazer essa experiência para minha cabeça de jornalista?

Facilmente. Você não precisa saber nada além do que sabe para fazer um entrevista, escrever uma matéria, publicar um texto. Isso qualquer um jornalista sempre fez, sem precisar ser online. O grande barato do jornalismo web é poder expandir o raio de ação, bem além dos furos, da cobertura em tempo real, além das redações. É criar ações que tenham afinidades com a notícia, bolar newsgames, criar ferramentas interativas, enfim, o jornalista está solto, livre para dar ideias e até executá-las.

O novo jornalista deve saber transformar seu trabalho em produto. Precisa ter conhecimento para gerenciar esse produto, traçar caminhos, cumprir metas. Historicamente, o jornalista é um profissional habituado a lutar por justiça e liberdades. O jornalista só não pode é estar diante dessa libertade e não saber o que fazer.

SAI, ZICA!

Gladiador: 82% de erro nos chutes

Levantamento aponta que Kleber realmente vive uma de suas piores fases na carreira. Com pontaria pra lá
de ruim, atacante já beira seu maior jejum no Palmeiras

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Ipad: uma nova experiência em conteúdo

setembro 20, 2010

Por: Rafael Louzada

No final da semana passada, finalmente tive um contato mais prolongado com um Ipad.  Usei o brinquedo por um bom tempo, acessando redes sociais, jogos, sites de notícias e, claro, aplicativos de todo tipo, especialmente os de conteúdo jornalístico. A impressão geral é similar ao que tenho visto as pessoas comentarem: o Ipad proporciona uma experiência nova, unindo a portabilidade do papel com o caráter multimídia de computadores e celulares.  Mais do que poder clicar em uma publicidade para receber novas  informações sobre o produto ou serviço anunciado, o equipamento permite uma variedade de formas de navegar impressionante. Sem limite de espaço, é infinita a quantidade de informações disponíveis a um toque na tela.

Para quem trabalha com jornalismo, é impossível vivenciar essa experiência sem pensar naquela pergunta que já se faz desde que a internet começou a sua revolução: os jornais vão sobreviver a tantas novidades? Eu nunca acreditei que os jornais fossem morrer, mas confesso que acreditava que o papel sempre teria o seu valor, pela portabilidade. Mas a minha resposta foi mudando à medida em que clicava e me divertia com o Ipad: os jornais não só não vão morrer como estão prestes a ganhar um mundo novo para explorarem.

102059898Para entender isso, vamos criar um cenário e agora colocando no mesmo pacote os tablets em geral e não apenas o Ipad. Imagine um mundo em que todo mundo tem um tablet, em que sua distribuição é muito barata ou até gratuita. Todo mundo tem o seu próprio equipamento para acesso a conteúdo de todo tipo, carregado embaixo do braço. Até as crianças de casa “baixam” seus gibis. Os pais mais conservadores são os que leem a história do Chapeuzinho Vermelho para as crianças, mas muitos simplesmente colocam o Ipad ao lado do berço com o “livro” tocando. Nesse mundo, não faz mais diferença se você tem um livro, CD, DVD ou Blueray. Arquivo de mídia toca no tablet e ponto final. Aquela criança cresce com raros contatos com livros que hoje chamamos de convencionais. Para ela, o normal é ler no tablet. Assinatura, por exemplo, é coisa feita com impressão digital. Aqui, a pergunta é: “Para que usar papel?”.

Claro que muita coisa ainda nos separa desse cenário, sob dois aspectos principalmente: cultural e financeiro. Os dois caminham juntos: à medida que os tablets entram no dia a dia das pessoas, o tipo de conteúdo gerado para essas plataformas ganha relevância econômica. E à medida que ganham relevância econômica, mais coisas são criadas e mais influenciam na cultura das pessoas.

Portanto, a minha impressão é de que agora é uma questão de tempo para vivenciarmos uma realidade nova. Muito tempo, diga-se de passagem. Em um país como o Brasil, em que muita gente não tem dinheiro sequer para comprar comida, não vejo sequer a longo prazo os tablets dominando o mercado. A TV levou 40 anos para se consolidar e, por mais que hoje a velocidade desse tipo de mudança seja outra, vale atentar para um detalhe: durante muito tempo, bastava uma TV em casa para atingir toda a família. Tablet naquele cenário descrito acima tem uma utilidade individual. Cada um vai precisar ter o seu. E até termos uma geração inteira que não dê a mínima para o papel, ainda falta muito.

Bom… o assunto não se esgota. Ainda preciso organizar melhor as minhas ideias para voltar a falar disso sob o ponto de vista das empresas de conteúdo. Se é que vai continuar havendo essa separação tão clara entre empresas de conteúdo e as demais. Volto em breve.

Olhando pela Luneta: Palestra Conteúdo na Web

agosto 31, 2010

Demorou, mas enfim está saindo o post completo sobre a palestra da Luneta Digital na Universo de Niterói, realizada no dia 25 de agosto. Com o tema “Conteúdo na Web – Conteúdo na Web”, o evento contou com a presença dos três fundadores da Luneta: eu (Rafael Louzada), Eduardo Mansell e Maurício Louro.
A palestra foi conduzida de forma a destacar o efeito das mudanças tecnológicas nos nossos dias, com ênfase em comunicação e produção de conteúdo. Passamos por alguns números de uso de internet no Brasil, mostramos cases etc. Segue um breve resumo do que foi falado e a publicação do nosso ppt, commo já havíamos feito neste post.
Parte 1 – O que a tecnologia muda no nosso dia a dia?
Eduardo Mansell pediu à plateia que lhe acompanhasse em dois cenários passados em momentos tecnológicos bastante diferentes: assim, fizemos uma breve viagem para perceber como questões tecnológicas influenciam nossas vidas hoje de uma forma que não imaginávamos há pouco tempo: passamos por momentos como o acordar com o toque do smartphone, ler notícias e e-mails durante o café da manhã, saber em tempo real como está o trânsito sem depender exclusivamente de informações de rádio ou até algo simples, como saber que filme os horários dos filmes no cinema sem precisar comprar o jornal. Percebeu como tudo isso é relativamente novo nas nossas vidas?
Parte 2 – Números da internet no Brasil
A segunda parte da palestra, conduzida pelo Maurício Louro, destacou números da internet no Brasil: somos hoje 190 milhões de brasileiros, dos quais mais de 30% com acesso à internet. Nem todos são usuários ativos, claro. Quando olhado sob esse aspecto, o número cai para 36 milhões. Ainda assim, bastante grande.
Vimos ainda que, além de sermos muitos, somos pessoas que navegam muito: brasileiros são o povo que fica mais tempo online, chegando a 45 horas por mês conectados. Tudo bem, nossa conexão é amis lenta, muito tempo das nossas conexões se referem a pessoas baixando vídeos de madrugada, mas o fato é que estamos à frente de países como Inglaterra e EUA.
Entre outros números, destaque também para os sites de redes sociais. Veja o ranking que um dos slides exibe:
. Orkut 26,9 /73%de alcance
▫ Twitter.com8,8/ 24% de alcance
▫ Facebook 8,0/ 22%de alcance
▫ Formspring.me4,8/ 13%de alcance
▫ Sonico2,1 /6% de alcance
Fonte: Ibope Nielsen Online (feveriro de 2010)
Para fechar, o Maurício citou alguns cases: números sobre a campanha de Barack Obama nos EUA, o caso do diretor da Locaweb demitido por falar mal de um clube patrocinado pela empresa no Twitter e ações de marketing muito interessantes envolvendo a atriz Grazi Massafera e o absorvente Intimus Gel. Para fechar, esse vídeo aqui, produzido por um cidadão que viajou pela United Airlines, teve seu violã quebrado no transporte e encongrou esta maneira divertida de processar, fazendo muito, muito barulho.

Parte 3 – O encontro das mídias

Tudo bem, já sabemos como a internet entrou nas nossas vidas e o quanto ela é importante no nosso dia a dia. A questão agora é: como isso afeta o mundo de mídia? Primeiramente, Eduardo Mansell exibe como as redações de jornais precisaram se mexer para acompanhar esse ritmo. Aparecem no telão matérias citando a integração de redações realizada por nomes de peso como Estadão, Folha, O Globo, LANCE!, El País e The New York Times.

Em seguida, é a vez de mostrar essa caminhada: o início dos jornais na web no Brasil, com a exibição de pdfs nos seus sites em vez de um ambiente com cara de internet é o primeiro exemplo, seguido pela evolução desse conceito. Passamos por páginas verdadeiramente online, links, vídeos, infográficos e demais referências.
Em seguida, passamos para um efeito no dia a dia dos repórteres, que agora precisam lidar com seus furos de reportagem de uma forma diferente: a possibilidade de se publicar um conteúdo online faz com que seja necessário antecipar a publicação. Não se pode mais esperar pela publicação do jornal no dia seguinte, como era prática antes. Ao fazer isso, corre-se um risco muio grande de se perder o furo para um site, atualizado em tempo real.
Para fechar esta etapa, demos uma olhada em casos de jornalistas que tinham carreiras sólidas no jornalismo offline, mas que tomaram a decisão de mergulhar no mundo online: Flavio Gomes hoje é reconhecido pela sua cobertura de automobilismo no site Grande Prêmio mais do que pela sua carreira na Rádio Jovem Pan ou Folha de São Paulo; Roicardo Noblat tem um nome de peso com seu blog e Sidney Rezende criou o portal SRZD ao ser demitido da rádio CBN.
Parte 4 – Impacto para usuários e jornalistas
E chegamos à última parte da palestra, em que eu questionei qual foi o real impacto de todas essas mudanças para os jornalistas que estão nestas redações que deixaram de ser fragmentadas entre online e offline e agora estão mescladas. Primeiramente, a ideia fooi entender como as coisas evoluíram para chegar aonde estamos: lembramos daqueles dias em que as famílias se reuniam exclusivamente para ver TV ou ler um livro era uma experiência baseada no foco na leitura etc. Passamos a viver um momento em que preferimos ler jornal assistindo a TV ou ouvir música lendo um livro.
Isso tudo foi fruto da nossa vontade, que sempre quis misturar as coisas, mas precisava de uma ajudinha tecnoógica, que demorou, mas chegou. Hoje, os sites misturam texto, foto, vídeo e áudio com a maior naturalidade. A presença online de uma rádio hoje em dia tem galerias de fotos e vídeo para que se veja o que acontece nos estúdios. Pergunte à sua avó como era angustiante a curiosidade sobre o rosto do galã da rádio-novela de anos atrás. Veja como isso mudou.
Essas mudanças permitiram mais: podcasts permitem que a gente carregue no celular, mp3, Ipod etc nossas músicas e programas prediletos. Não precisamos mais esperar a hora de ouvir nada. Podemos escolher o que queremos fazer e quando queremos.
E, à medida que ganhamos essa liberdade, passamos a querer participar ainda mais. Sempre quisemos isso, mas agora temos suportes tecnológicos que nos permitem ir além da participação por carta ou telefone pedindo e sugerindo pautas. agora, podemos enviar conteúdo. Os usuários criaram canais para aquilo que é produzido pelos usuários em seus sites, sem deixar de destacar esse conteúdo em suas homes quando os consideram mais importante do que aquilo produzido pelos seus próprios jornalistas.
Todo esse movimento de participação e colaboração criou uma comunidade formada pelas empresas de mídia e seus leitores, espectadores, usuários, ouvintes. É possível agora interagir imediatamente com essas pessoas através de redes sociais, por exemplo. Agora, temos ferramentas diversas que ajudam os jornalistas no dia a dia e algumas delas estão expostas na apresentação aqui embaixo.
Para fechar, lembramos que as redações não estão perdendo pessoal. Elas estão ganhando uma nova forma, com novas carreiras: agora, um jornal, uma rádio ou uma TV precisam de novos profissionais e novos conhecimentos, como webwriting, arquitetura de informação, SEO, redes sociais etc. E assim, continuamos evoluindo. Com muitos dos mesmos anseios de ontem, anteontem…
ELETROLUX 06 3 anos de garantia
casas Bahia Físico – 700 (665 à vista)
Casas Bahia Site – 700 (665 à vista)
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casas Bahia Físico – 900
Casas Bahia Site – 950
Ponto Frio e Extra – 775
BRASTEMP:
CONSUL
Links:
United – Guitarra
http://www.youtube.com/watch?v=nU1CKC9BJgE
O Globo
Estadão
Gabeira
Para Luneta:
http://www.bluebus.com.br/show/2/98377/para_ler_jornais_e_revistas_ipad_31_laptop_26_impressos_24_pesquisa
Acorda -
, pega o jornal
Toma o café, vai para o trabalho. Liga o rádio para saber do trânsito. Não ouve nada sobre o mesmo. Pega um baita engarrafamento. Chega no trabalho e é lembrado que é sexta, dia de cinema. Liga para a mulher, não consegue falar. Apenas na terceira vez. Enfim, ela é avisada que precisa comprar os ingressos para os quatro. A bilheteria só abre às 15h e o cinema é às 20h. Ela chega em casa e a empregada diz que precisa de comida para deixar o almoço de fim de semana pronto. Ela corre para o mercado. É o fim do sonho de fazer o cabelo no salão antes do cinema. Compras feitas a empregada avisa que não deixou jantar, pois é sexta-feira e ela compra lanche. Ela corre desesperada para a padaria para comprar algo pronto e deixar para os filhos. A rotina acaba às 18h, quando ela toma um banho e exausta corre ao cinema.
Acorda, toma banho, lê as notícias que lhe interessa no lap top. Sabe que pode ter uma noção do trânsito e que não precisa sair tão cedo. Lê os e-mails em casa. Chega no trabalho sem engarrafamento e é lembrado do cinema. Não se afoba, compra on line. Bilhetes garantidos. Liga para a mulher, não consegue falar deixa um torpedo. Ela retorna no intervalo, lembrada do cinema. Avisada da necessidade de compras, faz as mesmas on line. Marca o horário da entrega e a empregada recebe as compras, enquanto ela tranquilamente vai ao salão. No caminho, é lembrada via torpedo que é sexta-feira, dia de comprar o lanche. Passa antes na padaria e retorna no meio da tarde com tranquilidade suficiente para se preparar para o cinema.

Demorou, mas enfim está saindo o post completo sobre a palestra da Luneta Digital na Universo de Niterói, realizada no dia 25 de agosto. Com o tema “Conteúdo na Web – Comunicação na Internet”, o evento contou com a presença dos três fundadores da Luneta: eu (Rafael Louzada), Eduardo Mansell e Maurício Louro.Equipe da Luneta Digital aguardando início do evento

A palestra foi conduzida de forma a destacar o efeito das mudanças tecnológicas nos nossos dias, com ênfase em comunicação e produção de conteúdo. Passamos por alguns números de uso de internet no Brasil, mostramos cases etc. Segue um resumo do que foi falado e a publicação do nosso ppt, como já havíamos feito neste post.

Introdução – O que a tecnologia muda no nosso dia a dia?

Eduardo Mansell pediu à plateia que lhe acompanhasse em dois cenários passados em momentos tecnológicos bastante diferentes: assim, fizemos uma breve viagem para perceber como questões tecnológicas influenciam nossas vidas hoje de uma forma que não imaginávamos há pouco tempo: passamos por momentos como acordar com o toque do smartphone, ler notícias e e-mails durante o café da manhã, saber em tempo real como está o trânsito sem depender exclusivamente de informações de rádio ou até algo simples, como saber os horários dos filmes no cinema sem precisar comprar o jornal. Percebeu como tudo isso é relativamente novo nas nossas vidas?

Parte 1 – Números da internet no Brasil

A segunda parte da palestra, conduzida pelo Maurício Louro, destacou números da internet no Brasil: somos hoje 190 milhões de brasileiros, dos quais mais de 30% com acesso à internet. Nem todos são usuários ativos, claro. Quando olhado sob esse aspecto, o número cai para 36 milhões. Ainda assim, bastante grande.

Maurício Louro durante a sua participação na PalestraVimos ainda que, além de sermos muitos, somos pessoas que navegam muito: brasileiros são o povo que fica mais tempo online, chegando a 45 horas por mês conectados. Tudo bem, nossa conexão é mais lenta, muito tempo das nossas conexões se referem a pessoas baixando vídeos de madrugada, mas o fato é que estamos à frente de países como Inglaterra e EUA e isso merece algum destaque.

Entre outros números, destaque também para os sites de redes sociais. Veja o ranking que um dos slides exibe:

▫ Orkut 26,9 /73%de alcance

▫ Twitter.com8,8/ 24% de alcance

▫ Facebook 8,0/ 22%de alcance

▫ Formspring.me4,8/ 13%de alcance

▫ Sonico2,1 /6% de alcance

Fonte: Ibope Nielsen Online (feveriro de 2010)

Para fechar, o Maurício citou alguns cases: números sobre a campanha de Barack Obama nos EUA, o caso do diretor da Locaweb demitido por falar mal de um clube patrocinado pela empresa no Twitter e ações de marketing muito interessantes envolvendo a atriz Grazi Massafera e o absorvente Intimus Gel. Para fechar, o vídeo United Breaks Guitars, produzido por um cidadão que viajou pela United Airlines, teve seu violão quebrado no transporte e encontrou esta maneira divertida de processar, fazendo muito, muito barulho.

Parte 2 – O encontro das mídias

Tudo bem, já sabemos como a internet entrou nas nossas vidas e o quanto ela é importante no nosso dia a dia. A questão agora é: como isso afeta o mundo de mídia? Primeiramente, Eduardo Mansell mostrou como as redações de jornais precisaram se mexer para acompanhar esse ritmo. Aparecem no telão matérias citando a integração de redações realizada por nomes de peso o Brasil e do Exterior como Estadão, Folha, O Globo, LANCE!, El País (Espanha) e The New York Times (EUA).

Em seguida, é a vez de mostrar essa caminhada: o início dos jornais na web no Brasil, com a exibição de pdfs nos seus sites em vez de um ambiente com cara de internet é o primeiro exemplo, seguido pela evolução desse conceito. Passamos por páginas verdadeiramente online, links, vídeos, infográficos e demais referências.

Em seguida, passamos para um efeito no dia a dia dos repórteres, que agora precisam lidar com seus furos de reportagem de uma forma diferente: a possibilidade de se publicar um conteúdo online faz com que seja necessário antecipar a publicação. Não se pode mais esperar pela publicação do jornal no dia seguinte, como era prática antes. Ao fazer isso, corre-se um risco muio grande de se perder o furo para um site, atualizado em tempo real.

Para fechar esta etapa, demos uma olhada em casos de jornalistas que tinham carreiras sólidas no jornalismo offline, mas que tomaram a decisão de mergulhar no mundo online: Flavio Gomes hoje é reconhecido pela sua cobertura de automobilismo no site Grande Prêmio mais do que pela sua carreira na Rádio Jovem Pan ou Folha de São Paulo; Ricardo Noblat tem um nome de peso com seu blog e Sidney Rezende criou o portal SRZD ao ser demitido da rádio CBN.

Parte 3 – Impacto para usuários e jornalistas

E chegamos à última parte da palestra, em que eu questionei qual o real impacto de todas essas mudanças para os jornalistas destas redações que deixaram de ser fragmentadas entre online e offline e agora estão mescladas. Primeiramente, a ideia foi entender como as coisas evoluíram para chegar aonde estamos: lembramos daqueles dias em que as famílias se reuniam exclusivamente para ver TV ou ler um livro era uma experiência baseada no foco na leitura. Passamos a viver um momento em que preferimos ler jornal assistindo a TV ou ouvir música lendo um livro, misturando experiências.

Isso tudo foi fruto da nossa vontade. Sempre quisemos misturar as coisas, mas precisávamos de uma ajudinha tecnoógica, que demorou, mas chegou. Hoje, os sites misturam texto, foto, vídeo e áudio com a maior naturalidade. A presença online de uma rádio hoje em dia tem galerias de fotos e vídeo para que se veja o que acontece nos estúdios. Pergunte à sua avó como era angustiante a curiosidade sobre o rosto do galã da rádio-novela de anos atrás. Veja como isso mudou.

Essas mudanças foram além: podcasts permitem que a gente carregue no celular, mp3, Ipod etc nossas músicas e programas prediletos. Não precisamos mais esperar a hora de ouvir nada. Podemos escolher o que queremos fazer e quando queremos.

E, à medida que ganhamos essa liberdade, passamos a querer participar ainda mais. Sempre quisemos isso, mas agora temos suportes tecnológicos que nos permitem ir além da participação por carta ou telefone pedindo e sugerindo pautas. agora, podemos enviar conteúdo. Os jornais criaram canais para aquilo que é produzido pelos usuários em seus sites, sem deixar de destacar esse conteúdo em suas homes quando os consideram mais importante do que aquilo produzido pelos seus próprios jornalistas.

Todo esse movimento de participação e colaboração criou uma comunidade formada pelas empresas de mídia e seus leitores, espectadores, usuários, ouvintes. É possível agora interagir imediatamente com essas pessoas através de redes sociais, por exemplo. Agora, temos ferramentas diversas que ajudam os jornalistas no dia a dia e algumas delas estão expostas na apresentação aqui embaixo.

Encerramento da palestra. Obrigado pela presençaPara fechar, lembramos que as redações não estão perdendo pessoal. Elas estão ganhando uma nova forma, com novas carreiras: agora, um jornal, uma rádio ou uma TV precisam de novos profissionais e novos conhecimentos, como webwriting, arquitetura de informação, SEO, redes sociais etc. E assim, continuamos evoluindo. Com muitos dos mesmos anseios de ontem, anteontem…

A última etapa da palestra foi composta pelas perguntas dos alunos e professores presentes. Obrigado pela presença de todos, esperamos que tenham gostado.

Por: Rafael Louzada

Veja a apresentação:

Palestra marca início da parceria Luneta-Universo

agosto 27, 2010

Em seu evento de lançamento, na noite de quarta-feira (25/8), a Luneta Digital realizou a palestra “Conteúdo Web: comunicação na Internet” no auditória da Universidade Salgado de Oliveira (Universo), campus de Niterói.
O evento marcou ainda o início de uma parceria entre a Luneta Digital e a Universo, que também vai oferecer outras palestras, debates e cursos sobre o conteúdo na internet, como Webriting, Agência de notícias multimídia, Convergência de mídias, etc.
Na palestra os três fundadores da Luneta Digital, Eduardo Mansell, Maurício Louro e Rafael Louzada, abordaram temas importantes e atuais como convergência de mídias, valorização da marca, impacto da internet em empresas, grupos e usuários, dentre outros assuntos, sempre com a visão de quem faz parte do mercado.
Abaixo os slides que mostram um pouco da palestra, acompanhada por cerca de 100 pessoas, principalmente estudantes e profissionais de Comunicação Social. Os próximos passos da parceria Luneta Digital/Universo serão os cursos de Webriting, com início marcado para 4 de setembro, e  Agência de notícias multimídia, que começa em 9 de outubro. As inscrições já estão abertas para os dois cursos pelo telefone (21) 2138-4910 ou pelo e-mail luneta@lunetadigital.com.br

Em seu evento de lançamento, na noite de quarta-feira (25/8), a Luneta Digital realizou a palestra “Conteúdo Web: comunicação na Internet” no auditório da Universidade Salgado de Oliveira (Universo), campus de Niterói.

O evento marcou ainda o início de uma parceria entre a Luneta Digital e a Universo, que também vai oferecer outras palestras, debates e cursos sobre o conteúdo na internet, como Webriting, Agência de notícias multimídia, Convergência de mídias, etc.

Na palestra os três fundadores da Luneta Digital, Eduardo Mansell, Maurício Louro e Rafael Louzada, abordaram temas importantes e atuais como convergência de mídias, valorização da marca, impacto da internet em empresas, grupos e usuários, dentre outros assuntos, sempre com a visão de quem faz parte do mercado.

Abaixo os slides que mostram um pouco da palestra, acompanhada por cerca de 100 pessoas, principalmente estudantes e profissionais de Comunicação Social. Os próximos passos da parceria Luneta Digital/Universo serão os cursos de Webriting, com início marcado para 4 de setembro, e  Agência de notícias multimídia, que começa em 9 de outubro. As inscrições já estão abertas para os dois cursos pelo telefone (21) 2138-4910 ou pelo e-mail luneta@lunetadigital.com.br.

Palestra Conteúdo web: comunicação na internet

agosto 4, 2010

A LUNETA DIGITAL, em parceria com a Universidade Salgado de Oliveira (Universo), realiza palestra no próximo dia 25 de agosto, uma quarta-feira, às 19h no auditório da Universo, campus de Niterói. Com o tema “Conteúdo web: comunicação na internet” a palestra será aberta a estudantes de Comunicação, Jornalismo e Marketing, independentemente de serem alunos da Universo.

O evento contará com a participação dos fundadores da Luneta Digital, Eduardo Mansell, Maurício Louro e Rafael Louzada, com experiência em jornalismo como Diário LANCE!, Jornal dos Sports, Rádios Bandeirantes e Transamérica, Agências DPA e Sport Press . Atualmente, ocupam cargos  de chefia na equipe de edição e produto do LANCENET!. Eles farão uma breve apresentação sobre o tema e abrirão o debate para perguntas da plateia. Abaixo os detalhes da palestra:

Evento: “Conteúdo web: comunicação na internet”

Data: 25 de agosto de 2010 (Quarta-feira)

Horário: 19h às 21h

Local: auditório da Universo, na Rua Marechal Deodoro, 263 – Centro – Niterói/RJ

Inscrição: Feita na hora. É só chegar, se acomodar e participar

Mais informações: luneta@lunetadigital.com.br

Ônibus que passam na porta do campus:

Municipais:
42 (Barreto – Centro)
28 (Largo de São Jorge – Centro), da Viação Brasília
22 (Fonseca – Centro)

Intermunicipais:
100 (Barcas – Praça XV)
740 (Charitas – Leme)

Passam pela Marquês do Paraná (saltar próximo à esquina com a Marechal Deodoro):

Intermunicipais:
996 (Charitas – Gávea)
998 (Charitas – Galeão)
565 (Santa Rosa – Passeio)
703 (Santa Rosa – Vila Isabel)
750 (Santa Rosa – Estácio)

Obs: Qualquer ônibus que vá para Centro de Niterói, saltar no Terminal Rodoviário. Além da estação das Barcas localizada ao lado do terminal Rodoviário para aqueles que vem do Rio de Janeiro.

PONTO DE REFERÊNCIA
- Fica cerca de 100 metros do cruzamento entre a rua Marechal Deodoro e Marques de Paraná. A rua da UNIVERSO é paralela à Igreja de São João. A UNIVERSO/ Niterói fica em uma rua conhecida por suas lojas de móveis e automóveis.

Conteúdo é o Rei

março 4, 2010

Por Eduardo Mansell

Nos acostumamos a ouvir a expressão ” O conteúdo é o rei na Web”. Por melhor que seja a sua estratégia de Marketing, por mais completos que sejam os profissionais que trabalham para você, apenas sabendo lidar bem com o conteúdo que tem a oferecer é que os resultados aparecem.

Um excelente exemplo de é o site Projeto Enchetes, criado pela blogueira Cristiana Soares. A ideia surgiu com a tragédia que castigou a cidade de Angra dos Reis na passagem de ano. No site se encontra muitas informações essenciais para se evitar novas enchentes, endereços de postos de doações e casos de emergência que precisam ser cuidados pelas autoridades.

Uma excelente ideia de consciência social. Mas, para nós profissionais de Web, mais um exemplo que o conteúdo é o rei.

Siga a Luneta Digital no Twitter: www.twitter.com/lunetadigital

Conteúdo é poder na Internet

fevereiro 17, 2010

Por Eduardo Mansell

 

O Brasil se prepara para mais um ano eleitoral. A disputa já começou em vários estados e principalmente na esfera federal. Os partidos que já definiram seus candidatos, esperando apenas a oficialização dos nomes, já podem trabalhar com um passo de vantagem. Mas os pré-candidatos também procuram fortalecer suas marcas pessoais para vencerem a disputa interna e não ficarem tão para trás quando forem encarar os rivais externos. Mas para nós o que interessa saber é como a Web vai interferir nesta disputa, pois atualmente um postulante a cadeiras públicas não pode ignorar essa forma de comunicação.

Gabeira usa a internet como poucos (Foto: blog do candidato)

Gabeira usa a internet como poucos (Foto: blog do candidato)

 

Antes que uma voz discordante se levante e me lembre que grande parte da população não tem acesso ao computador, ou que o Brasil está atrás de 14 países da América Latina no Ranking de pobres em contato com a Web, ou que a Internet ainda não é o grande meio de uma campanha, gostaria de pedir um minuto de reflexão. Mas não agora, apenas depois de discutirmos alguns fatos.

Na última eleição presidencial nos Estados Unidos 47% dos eleitores admitiram que a Internet era sua principal fonte de informação. Vídeos e redes sociais eram os mais acessados. O então senador Barack Obama usou 73% mais a Web do que seu principal concorrente, John McCain. O pleito norte-americano aconteceu em 2008.

Claro que estava me referindo à realidade dos Estados Unidos, muito diferente do que acontece no Brasil. Porém naquele mesmo ano nós vivíamos as eleições para prefeitos e vereadores em todas as cidades do país. No Rio de Janeiro Eduardo Paes estava assegurado no segundo turno, enquanto Marcelo Crivela parecia caminhar tranquilamente para ser o rival. Porém, na reta final da campanha na capital carioca surgiu o fenômeno Fernando Gabeira. O candidato verde foi para o segundo turno e por poucos votos não se elegeu.

Naquele pleito Gabeira, com pouquíssimo tempo de televisão, não teve dúvidas em fazer da Web seu ponto principal de campanha, um palanque invejável. Usou a Internet como poucos. Forçou seu concorrente no segundo turno a fazer o mesmo. Hoje, vários secretários do prefeito Eduardo Paes são verdadeiros viciados, no bom sentido, em redes sociais. Quem duvidar basta visitar, por exemplo, a página no twitter de Claudia Costin, secretária de educação, que parece postar a todo minuto. No fim Gabeira tinha o apoio de várias pessoas influentes em redes sociais, blogueiros muito acessados e diversos assessores virtuais que lhe prestavam serviço de graça, apenas por acreditarem que suas ideias eram as melhores.

O ex-prefeito César Maia, por exemplo, era adorado por boa parte do funcionalismo público que comandava pelo simples fato de não deixar um e-mail sem resposta. Podia ser queixa, reclamação, dúvidas, o que fosse, ninguém ficava sem a resposta do prefeito. Hoje, mesmo fora do cargo, possui uma mala direta superior a 37 mil eleitores. Qual candidato dispensa esses números?

Alguns candidatos perceberam a força da Internet e 2010 pode marcar a primeira eleição em que a Web pode decidir vários vitoriosos. No fim de janeiro, em visita a Campus Party, feira de internet e tecnologia em São Paulo, a senadora Marina Silva, pré-candidata do PV à presidência, deu a seguinte declaração após aprender a usar o Google Maps.

- Essa não é uma visita artificial, pois pretendo usar muito essa ferramente (Internet) em minha campanha. Os candidatos mais do que nunca vão precisar ter uma mensagem a dizer aos internautas, pois isso pode ser decisivo no pleito – disse Marina.

Pouco depois Marina Silva divulgava detalhes de sua estratégia de web. Ela está certa. Além disso, a ministra se comprometeu a não usar a Internet para agredir seus concorrentes, pois entende ser isso um risco que pode se voltar contra ela. Simples, o internauta normalmente é um formador de opinião muito mais forte do que uma estrela de cinema. Quem o segue no twitter, por exemplo, confia numa recomendação sua muito mais do que a palavra de uma celebridade. Logo, se ele achar um candidato agressivo, coitado deste. Só para constar, pouco depois da visita de Marina, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, também apareceu no evento.

O fato é que hoje a Internet é uma realidade eleitoral. Um candidato a deputado estadual que faz um grupo de discussão na web, que usa ferramentas como Twitter e Facebook tem muito mais chances de conquistar votos do que um analfabeto digital. Simples, agradando ele força uma corrente natural, boca a boca, voto a voto, sem limite de tempo ou de espaço. O sonho de qualquer candidato. E nesse jogo não dá para ficar para trás, pois não se tem como impedir que um rival seu use o jogo.

- Eles (Dilma e Serra) anteciparam a campanha na Internet. Agora é injusto dizer para os outros jogadores: “não joguem” – disse Marina Silva na mesma feira, numa clara amostra de que o pleito de 2010 vai ser importante na Web até mesmo em uma esfera federal. Imagine na sua cidade. Se antes quem tinha a informação tinha o poder, hoje não há mais dono da informação e, portanto, melhor fazer bom uso dela.

Um caminho sem volta

fevereiro 11, 2010

(FOTO: Lutero, o filme)

Por Eduardo Mansell

Bastante interessante o post CONHECIMENTO X TÉCNICA que o amigo Maurício Louro publicou neste espaço. Nele é abordado um dos aspectos que considero mais interessante na análise de tudo o que vem acontecendo na Web. Falo sobre as reações às possibilidades geradas por um novo meio de comunicação. Todo processo inovador, toda revolução, toda mudança sempre vai gerar os mais variados tipos de reações, principalmente de quem tem medo do que está por vir. Mas isso é inevitável.

Quando Martinho Lutero pregou as 95 teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, dando início à Reforma Protestante, foi inevitável a reação da Igreja Católica. Mas por que abordar isso em um post sobre a revolução da Web? simples, pois as duas possuem semelhanças em excesso. Antes de Lutero já havia uma insatisfação com a Igreja e com a cobrança de indulgências. Muitos já defendiam que essa mesma Igreja se afastasse dos interesses materiais terrenos. Os que fizeram isso antes de Lutero talvez não tenham durado muito para discutir a história.

Então o que fez Lutero prosperar? igualmente simples, Lutero foi favorecido por uma outra revolução, pela invenção de Johannes Gutenberg, ourives de profissão, que apresentou ao mundo a primeira impressora com tipos móveis. A partir dali o custo de um livro despencou na Europa e a Igreja deixou de ser a guardiã da informação. As 95 teses passaram a correr o Velho Continente.

Nos últimos anos, e ainda hoje, estamos lidando com situação parecida. No jornalismo e nas redações isso se torna ainda mais claro. Os chamados “Guardiões da Informação” perceberam que não possuem mais tesouros para esconder e que a informação hoje corre o mundo pelas bandas da Web. As reações geradas a esse novo meio não se diferem em nada das reações da Igreja contra Lutero.

No início desta década mesmo os Estados Unidos acompanharam esse processo de forma ainda mais intensa, através da Blogsfera, como foi denominada a explosão de blogs do período, que se tornaram fontes de informação e, em alguns casos, mais procuradas do que os meios de comunicação tradicionais. Todo esse processo pode ser acompanhado nas páginas do livro ‘Blog, Entenda a Revolução’, de Hugh Hewitt, que me foi sugerido pelo mestre Carlos Nepomuceno, citado pelo Maurício Louro no post anterior.

A Blogsfera norte-americana passou a ser desqualificada e chamada de “bando de jornalistas e blogueiros de pijama” pela mídia tradicional. Mas a rapidez da internet e a credibilidade e velocidade da informação e opinião dos blogs falaram mais alto, com vários veículos de comunicação consagrados tendo que se render a essa realidade.

Hoje o lead no jornalismo não pode ser mais escondido. Mas se for, terá alguém para gritar contra, tentar contar a verdade. E se esse alguém tiver muitos seguidores em seu blog, pobre de quem quer esconder o lead. Se uma empresa não cumprir o que promete, sempre haverá alguém para contar a outros consumidores insatisfeitos no twitter ou no orkut o que aquela empresa fez. Um setor de relacionamento ao cliente em que a sua reclamação é conhecida por outros clientes. Pobre da empresa. Isso é revolução. A web é a nova impressora com tipos móveis e o novo Martinho Lutero pode ser qualquer um de nós.

Conhecimento x Técnica

fevereiro 10, 2010

Quando um novo mundo se abre, abrem-se novos caminhos

Quando um novo mundo se abre, abrem-se novos caminhos

Por Maurício Louro

O que mais me motivou a migrar definitivamente para a web foi perceber que, para atuar nesse meio, seria preciso correr em busca de conhecimento. Não digo técnica, mas conhecimento. Pensar a produção de conteúdo para a web nos leva à compreensão de conceitos, o que nos levará ao conhecimento.

As redações, de qualquer tipo, estão repletas de feras, jornalistas cascudos donos de suas verdades, de suas técnicas. Porém, a utilidade dessas figuras, arrisco dizer, está com os dias contados. Alguns mais inteligentes, porém preguiçosos, têm uma certa visão da mudança irremediável. Mas fazem vista grossa ou tentam se apoderar do novo meio sem, no entanto, fazer algum esforço para compreendê-lo.

A uma certa altura do livro ‘O Conhecimento em Rede’(Editora Campus), de Marcos Cavalcanti e Carlos Nepomucemo – quero falar sobre essa publicação em outro post -, os autores analisam as reações às possibilidades geradas por um novo meio de comunicação. “Há sempre uma primeira tentativa de utilizar o novo meio como se fosse o anterior”, ou “um grupo conservador tentará minimizar o potencial do novo meio”.

Estão corretíssimos os autores. E isso se deve sobretudo ao  desconhecimento por parte daqueles que deveriam estar à frente no uso do conhecimento. Notícia é notícia, e isso não mudará jamais. Porém, algumas regras do jogo mudaram ou perderam a razão de ser. É difícil para um jornalista cascudo dar de cara com a experiência de não ser mais a estrela do negócio.

Há muito para aprender, mas já sabemos que, se notícia é notícia, é a relevância que vai se sobrepor a ela. E em se tratando de web, não serão os cascudos que irão dizer o que é relevante. Principalmente se entendermos que uma das palavras-chaves da web é compartilhamento.

As fontes não são mais as mesmas, a audiência se rebelou e vai aonde quiser. Deus está solto na web