Criamos a ‘Máquina do Tempo’. Faça uma viagem
agosto 13, 2011
Por: Maurício Louro
Quase sempre paro para imaginar as coisas que envolvem as experiências mais simples, como assistir a um filme, por exemplo. Fico pensando no estalo inicial, na concretização da história, na criação do roteiro e, depois, na venda para os produtores – no caso, os investidores. Se se compra a ideia que se tornará um filme, acredito que é possível vender qualquer coisa. E mais: se se vende qualquer coisa, estamos livres para produzir o que quisermos.
Tive um pensamento repentino, acompanhado daquela reação imediata de ter vislumbrado algo lógico e possível. Tenho pensado muito em como seria capaz de vender qualquer coisa via web, de ideias a objetos, desde que se crie uma ótica de produto. Refiro-me à web porque o meio permite afinidades antes impossíveis no mundo offline. Quero dizer que há nichos, pessoas diferentes navegando, mas com certeiros pequenos interesses em comum. Por isso me guio pela teoria da Cauda Longa para dizer que tudo se vende na web.
Convenci-me a levar adiante esse meu pensamento, mas precisava testar, ver o efeito de minha ideia na reação de alguém. Estava em casa e resolvi testar com minha mulher, que de nada sabia. Rapidamente criei uma história, baseado no meu pensamento repentino. Contei que havia lido um artigo sobre motivação.
Nele, um agente motivacional dizia que era possível fazer qualquer coisa que se imaginasse, considerando a criatividade e a inteligência humana. Qualquer coisa mesmo. A fim de reforçar o que estava dizendo, propôs a si mesmo a criação de duas coisas aparentemente impossíveis de se criar. Para tornar a situação ainda mais complexa, na primeira experiência quis partir do plano metafísico para o concreto – o que, para ele seria mais difícil – e, na segunda, do plano concreto para o metafísico.
Assim, respectivamente, ele decidiu criar o homem à sua semelhança, como o fez Deus – esta seria a primeira experiência. Depois, daria uma de inventor e criaria uma máquina. Mas não uma máquina qualquer. Criaria a “Máquina do Tempo”, o que seria a segunda experiência. As duas se realizaram.
A primeira realmente foi a mais difícil e levou exatos três anos e dois meses. Foi o tempo necessário para conhecer e se relacionar com a mulher que hoje é mãe de seu filho. Feito isso, em poucos minutos realizou a segunda experiência, com sucesso, criando a máquina do tempo.
Para provar seu feito, sugeriu uma viagem gratuita ao leitor. Havia experimentado e posso dizer que deu certo. Melhor: com um clique posso estender a experiência a quem está lendo esse texto… aqui e agora. É preciso apenas estabelecer o período a ser visitado nessa viagem. Vou sugerir aqui o dia 13 de junho de 1962, dia em que nasci.
Se você está realmente pronto, clique aqui e, faça sua viagem. Se puder, retorne depois para contar como foi a experiência. Mas lembre que qualquer coisa se torna absurda quando nos colocamos descrentes diante dela.
Minha mulher (sem que lesse esse texto jamais saberia da minha “mentira”) achou o tal artigo genial e adorou a ideia da “Maquina do Tempo”. O artigo foi apenas a embalagem de uma ideia repentina. Jamais existiu. Só quis provar que posso vender qualquer coisa que imaginar. No entanto, como trazer essa experiência para minha cabeça de jornalista?
Facilmente. Você não precisa saber nada além do que sabe para fazer um entrevista, escrever uma matéria, publicar um texto. Isso qualquer um jornalista sempre fez, sem precisar ser online. O grande barato do jornalismo web é poder expandir o raio de ação, bem além dos furos, da cobertura em tempo real, além das redações. É criar ações que tenham afinidades com a notícia, bolar newsgames, criar ferramentas interativas, enfim, o jornalista está solto, livre para dar ideias e até executá-las.
O novo jornalista deve saber transformar seu trabalho em produto. Precisa ter conhecimento para gerenciar esse produto, traçar caminhos, cumprir metas. Historicamente, o jornalista é um profissional habituado a lutar por justiça e liberdades. O jornalista só não pode é estar diante dessa libertade e não saber o que fazer.
SAI, ZICA!
Gladiador: 82% de erro nos chutes
Levantamento aponta que Kleber realmente vive uma de suas piores fases na carreira. Com pontaria pra lá
de ruim, atacante já beira seu maior jejum no Palmeiras
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E a Carteira de Trabalho?
setembro 22, 2010

Quebra de paradigmas sempre foi um objeto da comunicação
Por Maurício Louro
Fico imaginando como eram as relações profissionais antes da CLT, a Consolidação das Leis do Trabalho, criada na época do Estado Novo, de Getúlio Vargas. Como terá sido o período de adaptação às novas regras, à Previdência Social, ao Fundo de Garantia e a todo o aparato de leis? Hoje parece normal, mas um dia não o foi.
Vou ao passado em razão do que tenho visto no presente em relação ao futuro: as relações do trabalho estão mudando novamente. Seja por causa social, econômica, tecnológica ou até política, o fato é que está cada vez mais difícil obter um bom salário com carteira assinada.
Encarar uma mudança nesse sentido pode ser complicado, pois há uma questão cultural aí, o que acarreta uma resistência natural. Porém, a mim me parece que o caminho está traçado e em mão única. Entendo ainda que isso será tão mais forte para aqueles que trabalham com informação, seja jornalismo, publicidade ou marketing, áreas cada vez mais integradas.
Lembro imediatamente de pelo menos cinco casos de colegas que deixaram as redações e partiram para a “carreira solo”. Todos parecem bem sucedidos na empreitada, certamente por ser a comunicação uma atividade essencial a qualquer ramo profissional. Pois vai ser assim.
Converso muito com meu colega de criação da Luneta Digital, Eduardo Mansell, sobre o conceito de Agência de Notícias. As possibilidades digitais criaram novas perspectivas para esse ramo. O mesmo vale para as assessorias de imprensa. Mansell desenvolveu um curso interessantíssimo sobre Agência de Notícias Multimídia, que fala sobre essa perspectiva, e cujo conteúdo me faz pensar muito a respeito do futuro.
O que empolga é concluir que, apesar de parecerem tão complexas as mudanças culturais a que estamos sujeitos com a inserção de novos paradigmas, a tecnologia existe mesmo para facilitar a vida das pessoas. É claro que, por preguiça, tem gente que não quer entender isso. Mas acredito que um dia teremos sim o conhecimento como a grande moeda social.
Um caminho sem volta
fevereiro 11, 2010

(FOTO: Lutero, o filme)
Por Eduardo Mansell
Bastante interessante o post CONHECIMENTO X TÉCNICA que o amigo Maurício Louro publicou neste espaço. Nele é abordado um dos aspectos que considero mais interessante na análise de tudo o que vem acontecendo na Web. Falo sobre as reações às possibilidades geradas por um novo meio de comunicação. Todo processo inovador, toda revolução, toda mudança sempre vai gerar os mais variados tipos de reações, principalmente de quem tem medo do que está por vir. Mas isso é inevitável.
Quando Martinho Lutero pregou as 95 teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, dando início à Reforma Protestante, foi inevitável a reação da Igreja Católica. Mas por que abordar isso em um post sobre a revolução da Web? simples, pois as duas possuem semelhanças em excesso. Antes de Lutero já havia uma insatisfação com a Igreja e com a cobrança de indulgências. Muitos já defendiam que essa mesma Igreja se afastasse dos interesses materiais terrenos. Os que fizeram isso antes de Lutero talvez não tenham durado muito para discutir a história.
Então o que fez Lutero prosperar? igualmente simples, Lutero foi favorecido por uma outra revolução, pela invenção de Johannes Gutenberg, ourives de profissão, que apresentou ao mundo a primeira impressora com tipos móveis. A partir dali o custo de um livro despencou na Europa e a Igreja deixou de ser a guardiã da informação. As 95 teses passaram a correr o Velho Continente.
Nos últimos anos, e ainda hoje, estamos lidando com situação parecida. No jornalismo e nas redações isso se torna ainda mais claro. Os chamados “Guardiões da Informação” perceberam que não possuem mais tesouros para esconder e que a informação hoje corre o mundo pelas bandas da Web. As reações geradas a esse novo meio não se diferem em nada das reações da Igreja contra Lutero.
No início desta década mesmo os Estados Unidos acompanharam esse processo de forma ainda mais intensa, através da Blogsfera, como foi denominada a explosão de blogs do período, que se tornaram fontes de informação e, em alguns casos, mais procuradas do que os meios de comunicação tradicionais. Todo esse processo pode ser acompanhado nas páginas do livro ‘Blog, Entenda a Revolução’, de Hugh Hewitt, que me foi sugerido pelo mestre Carlos Nepomuceno, citado pelo Maurício Louro no post anterior.
A Blogsfera norte-americana passou a ser desqualificada e chamada de “bando de jornalistas e blogueiros de pijama” pela mídia tradicional. Mas a rapidez da internet e a credibilidade e velocidade da informação e opinião dos blogs falaram mais alto, com vários veículos de comunicação consagrados tendo que se render a essa realidade.
Hoje o lead no jornalismo não pode ser mais escondido. Mas se for, terá alguém para gritar contra, tentar contar a verdade. E se esse alguém tiver muitos seguidores em seu blog, pobre de quem quer esconder o lead. Se uma empresa não cumprir o que promete, sempre haverá alguém para contar a outros consumidores insatisfeitos no twitter ou no orkut o que aquela empresa fez. Um setor de relacionamento ao cliente em que a sua reclamação é conhecida por outros clientes. Pobre da empresa. Isso é revolução. A web é a nova impressora com tipos móveis e o novo Martinho Lutero pode ser qualquer um de nós.
Conhecimento x Técnica
fevereiro 10, 2010

Quando um novo mundo se abre, abrem-se novos caminhos
Por Maurício Louro
O que mais me motivou a migrar definitivamente para a web foi perceber que, para atuar nesse meio, seria preciso correr em busca de conhecimento. Não digo técnica, mas conhecimento. Pensar a produção de conteúdo para a web nos leva à compreensão de conceitos, o que nos levará ao conhecimento.
As redações, de qualquer tipo, estão repletas de feras, jornalistas cascudos donos de suas verdades, de suas técnicas. Porém, a utilidade dessas figuras, arrisco dizer, está com os dias contados. Alguns mais inteligentes, porém preguiçosos, têm uma certa visão da mudança irremediável. Mas fazem vista grossa ou tentam se apoderar do novo meio sem, no entanto, fazer algum esforço para compreendê-lo.
A uma certa altura do livro ‘O Conhecimento em Rede’(Editora Campus), de Marcos Cavalcanti e Carlos Nepomucemo – quero falar sobre essa publicação em outro post -, os autores analisam as reações às possibilidades geradas por um novo meio de comunicação. “Há sempre uma primeira tentativa de utilizar o novo meio como se fosse o anterior”, ou “um grupo conservador tentará minimizar o potencial do novo meio”.
Estão corretíssimos os autores. E isso se deve sobretudo ao desconhecimento por parte daqueles que deveriam estar à frente no uso do conhecimento. Notícia é notícia, e isso não mudará jamais. Porém, algumas regras do jogo mudaram ou perderam a razão de ser. É difícil para um jornalista cascudo dar de cara com a experiência de não ser mais a estrela do negócio.
Há muito para aprender, mas já sabemos que, se notícia é notícia, é a relevância que vai se sobrepor a ela. E em se tratando de web, não serão os cascudos que irão dizer o que é relevante. Principalmente se entendermos que uma das palavras-chaves da web é compartilhamento.
As fontes não são mais as mesmas, a audiência se rebelou e vai aonde quiser. Deus está solto na web

