O que as demissões no O Globo e no Extra nos ensinam

Por Mauricio Louro – As recentes demissões no “jornal de maior circulação do país”, Globo e Extra, causaram grande transtorno no mercado. A empresa garantiu não se tratar de efeito da crise econômica, mas sim parte de um processo de adaptação à nova realidade do meio de comunicação.

Em outras palavras, as redações estão sendo integradas para se otimizar a produção, gerando a economia necessária à saúde da empresa. Durante muito tempo, nossos dirigentes viraram as costas para as exigências do mercado de consumo de informação. Ainda hoje, em boa parte das redações, o foco na produção offline persiste, muitas vezes camuflado em forma de discurso multimídia.

Extra e O Globo demitem 30 em apenas um dia

Pior: não é raro o caso de jornalistas que não entenderam essa nova realidade. Quem frequenta o dia a dia das redações sabe disso.

O jornalista precisa buscar informações sobre novas mídias, saber como funcionam as redes sociais, as ferramentas de distribuição de conteúdo. Precisa entender esse conteúdo como produto a ser consumido. Pensar a produção, a repercussão. Medir e acompanhar os resultados do se produziu. Precisa ser capaz de produzir e gerir seu próprio conteúdo. O jornalista tem que ser a própria empresa, dono da sua mão de obra.

O que aconteceu no O Globo e no Extra – e que vem acontecendo há algum tempo em diversos outros jornais e vai continuar ocorrendo – nada mais é do que um processo natural. Afinal de contas, trata-se de uma empresa, de um grupo. Tem que dar lucro com o menor gasto de energia e custo possível.

Não acompanhar as mudanças e as novas tecnologias é ficar à margem de uma profissão que já não é mais aquela que, um dia, foi dona da informação.

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