Qualificação como arma contra a crise no jornalismo

Por Mauricio Louro – Diante de um País supostamente politizado, a hora é propícia para levantar um debate: pelo que se tem visto, o que você acha da nossa imprensa? Qual o seu julgamento?

Não sou adivinho, mas observador. Pelo que tenho lido e testemunhado nas mídias sociais, principalmente, me vem a impressão de que a tendência, nesse caso, cai para o lado crítico negativo.

Manifestação de funcionários do Diários Associados, em Minas Gerais
Manifestação de funcionários do Diários Associados, em Minas Gerais

A vida de todos é movida por evolução, melhorias. Podemos traçar, por exemplo, um paralelo com gerações familiares, nas quais espera-se que os filhos alcancem comumente patamares além daqueles conquistados pelos pais, etc. Afinal, como disse antes, estamos sempre lutando para melhorar e evoluir.

Pois em junho de 2009 o jornalismo – e me arrisco a dizer, o país – sofreu um retrocesso lamentável. Naquela época, o nosso Supremo Tribunal Federal derrubou a exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista. E foi de lavada: 8 votos a 1, com duas ausências na sessão – Joaquim Barbosa e Carlos Alberto Menezes (o único voto a favor de manter a exigência do diploma foi do ministro Marco Aurélio de Mello).

O que dizer agora, quase sete anos depois, das consequências? Justo agora, neste momento de turbulência política, de informações amarrotadas, fakes e confusas.

Cena se repete no O Dia, no Rio de Janeiro: jornalismo em crise
Cena se repete no O Dia, no Rio de Janeiro: jornalismo em crise

Pois antes de julgarmos a imprensa, será preciso tomar posicionamento a favor da tal evolução, da qualificação e da especialização. Será preciso retomar esse caminho interrompido em 2009. Por que diabos essa questão foi levada ao plenário? De quem foi a iniciativa? Certamente não partiu da classe em questão. Assim…

Saibam que é vergonhoso o piso da categoria no Rio de Janeiro. Vergonhoso: entre R$ 1.100 e R$ 1.700, dependendo da função de redator ou repórter e da carga horário, entre 5h e 7h. Os demais estados não estão longe disso.

A luz no fim do túnel para esse retrocesso é a PEC 33/2009 (de 2009?). Essa proposta de emenda constitucional foi aprovada no Senado em 2012, mas está mofando desde então na Câmara. Impossível fazer uma previsão.

Infelizmente, qualificação não é o forte do nosso país, não é mesmo?

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