Para que produzir o quê
October 29, 2010

Saber disponibilizar o conteúdo é tão importante quanto o próprio conteúdo
Por Mauricio Louro - A internet cria certas manias que podem desvirtuar os objetivos de uma ação. Tiro como exemplo, para análise, algumas “sensações” que não param de pipocar no YouTube. Na semana passada a bola da vez foi a banda que tocou ao vivo no metro de Nova York usando iPhones, que chegou ao primeiro lugar no Viral Video Chart em d0is dias. Uma semana depois e já parece distante.
Lembro de uma discussão a respeito de premiação para a criação publicitária, na qual muitas vezes o comercial genial se vende, mas não vende o produto ou a marca. A situação é parecida com aquela do metrô de Nova York, pois agora aguardamos ansiosamente pelo próximo viral, uma vez que o show no vagão passa a ser apenas um vídeo no YouTube. Tudo o que se falou a respeito do evento foi por ter sido um viral com iPhone. E a Apple agradece.
Eu pergunto: e a música?
Fiz essa pergunta a mim mesmo depois de ter percebido que não lembrava o nome do grupo, ou mesmo o nome da canção, poucos minutos após conferir o vídeo. Ok, de repente não sou parte do público-alvo. Então, nesse caso, não seria mais eficiente direcionar a ação? No caso, para que o viral?
Não é preciso responder. Quero apenas levantar questões, o que é uma prática importante na rotina de quem trabalha com comunicação digital, seja em publicidade, marketing ou jornalismo. As ofertas são tantas que a produção de conteúdo web precisa ser cada vez mais pensada, inteligente. É uma questão relevante, considerando o risco de a produção se tornar rotineira, como pode ocorrer em qualquer tipo de atividade.
O que se produz é o que vai ser a cara do jornal, do canal de TV ou da emissora de rádio. Esses meios já implementam elementos da web, como comentários e opiniões. Porém, o fluxo é sempre de um para muitos. O consumidor lê, ouve ou assiste. Na Internet os cuidados com a produção devem ir além, principalmente pela questão da dinâmica do meio. É preciso saber para quem se está produzindo, daí a necessidade de se acompanhar de perto comentários, volume de audiência, etc.
Os hábitos de uma redação tradicional não têm espaço num ambiente de comunicação digital. Quanto mais integração existir entre produção/desenvolvimento/comercial, melhor será o produto final. E a presença do especialista em mídias sociais? Por que essa função é ainda tão rara (ou mal ocupada) numa redação?
A informação na web pode ser fulgás, apagada da memória após um breve período. O que fica é a marca. Aquele evento no metrô de Nova York vendeu mais iPhone 4 do que a tal banda.
Não tenho nada contra a postura de chegar em uma redação sonhando em ver a assinatura estampada na matéria, mas isso pouco importa nesses dias de jornalismo online. Produzir para a web não significa apenas escrever bem ou dar um furo. É essencial disponibilizar a informação e facilitar os caminhos de acesso, via SEO ou midias sociais, por exemplo. Mais ainda: é preciso também acompanhar os resultados, conferir repercussões, desenvolver conteúdos relacionados, etc.
O valor do conteúdo é a sua relevância, portanto, cuide bem da produção, pense muito no que se pode fazer. A concorrência é um problema seu, não do usuário. Lembre-se de que você está vendendo um conteúdo, colocando em cada detalhe a credibilidade de uma marca. Você é a banda que vende iPhone. Porém, pergunte-se sempre: a quem serve este meu conteúdo?
Jornalismo multimídia e a gambiarra
October 28, 2010

Em certos casos, o jornalismo multimídia se faz com internet à lenha
Por Mauricio Louro - Tanto se fala ou se escreve a respeito das diferenças entre jornalismo impresso e online que até assusta. Diferenças obviamente existem, mas nem sempre significam erros. Nos cursos que criamos e ministramos na Luneta Digital enfatizamos isso… sempre!
É fundamental que se compreenda as características de cada mídia antes de se pensar na produção. A questão é que, no caso da web, existe a tal convergência que gera o tal profissional multimidia, muitas vezes confundido com um polvo. Um faz-tudo criado e defendido por editores que não colocam a mão na massa - ou não sabem como fazê-lo - e muitas vezes jogam para a torcida, formada por gerentes e diretores. Para piorar, forçam a barra maquiando essa multitarefa simultânea com uma aura de modernidade.
O conceito de profissional multimídia agrega a tecnologia, que por sua vez exige o conhecimento técnico. Tal processo pede investimento, mas tal palavra parece causar arrepios justamente naqueles que se dizem investidores. O resultado é que o jornalista é obrigado a se tornar um multimídia gambiarra: “tire umas fotos, grave um vídeo e um áudio, faça uma boa entrevista, com diferencial, por favor… aproveite para fritar o peixe e olhar o gato”.
É um processo que vai persistir enquanto não se compreender que investimento tem a ver com resultado efetivo, que por sua vez não se consegue a curto prazo. E o investimento não é apenas finaceiro, mas humano também, que é quando chegamos ao conhecimento. Por exemplo, a web disponibiliza ferramentas fantásticas para auxiliar o trabalho de jornalismo, mas os que sabem que elas existem são poucos.
Pior: muitos não se dão ao trabalho de entender as tais ferramentas tirando delas apenas o uso básico. É a preguiça do sabe-tudo, o ranço de quem está numa profissão que está mudando muito a cada dia. E o que dizer àqueles jornalistas que estão no meio dessa loucura e que ainda assim se empenham e querem entender?
Façam cursos e estudem. O grande lance é procurar entender as relações sociais e como se comporta o fluxo de informação entre as pessoas no meio. Pense também em tecnologia. Invista em equipamentos úteis para exercer seu trabalho, pois certamente aparecerão oportunidades nas quais você terá de ser o dono da sua produção.
Quer mais? Fique de olho… use a Luneta.
Google financia projetos de jornalismo digital
October 28, 2010
Por: Rafael Louzada
Google financia projetos de jornalismo digital
Já imaginou bolar um projeto de inovação em jornalismo digital e ainda conseguir um financiamento do Google? Esta é uma possibilidade real após o anúncio publicado no blog oficial da gigante da internet. No post, o Google reconhece a importância do jornalismo como ferramenta de democracia e levanta a sua preocupação em contribuir de alguma forma com o desenvolvimento tecnológico nesta área.
E a maneira de contribuir parece bastante “inspiradora”: serão doados US$ 5 milhões para projetos de inovação em jornalismo digital, dos quais US$ 2 milhões já estão destinados a instituições americanas que o próprio Google elogia pelos serviços prestados para o desenvolvimento desta área.
Assim, sobra a bagatela de US$ 3 milhões para investimento em projetos de outros países. O texto não entra em detalhes sobre como será a seleção destes projetos, nem sobre prazos para elaboração. No máximo, cita ferramentas do próprio Google que podem servir de base para os competidores, como o Google Maps e o Youtube Direct. E sugere que nós fiquemos atentos a novidades sobre o assunto no início de 2011.
Independentemente de um projeto brasileiro ser ou não selecionado, já é gratificante saber que existem programas de incentivo abertos com o objetivo de incentivar o desenvolvimento do jornalismo digital no pelo mundo. Fiquei curioso para saber o que vai surgir destes projetos e o que já tem se desenvolvido por aí.
Ferramentas para jornalistas
October 26, 2010
No meu último post aqui, o assunto foi como novidades tecnolológicas transformaram o dia a dia de pessoas comuns e, especialmente, jornalistas. Queria desta vez abordar esse assunto com uma pegada mais ferramental, para que a gente possa compreender um pouco deste novo cenário e ilustrar as tais novas possibilidades. Repare que vou falar aqui de oportunidades gratuitas ou que pelo menos permitem uma redução brusca de custos.
Por: Rafael Louzada
No meu último post aqui, o assunto foi como novidades tecnolológicas transformaram o dia a dia de pessoas comuns e, especialmente, jornalistas. Queria desta vez abordar esse assunto com uma pegada mais ferramental, para que a gente possa compreender um pouco deste novo cenário e ilustrar as tais novas possibilidades. Repare que vou falar aqui de oportunidades gratuitas ou que pelo menos permitem uma redução brusca de custos.
1. Alertas do Google
Você sabia que o Google possui um serviço que pemite que você seja avisado toda vez que algum texto com determinadas palavras-chave for publicado? Trata-se do Google Alerts e, através dele, você pode monitorar as palavras que preferir, escolher se deve receber um e-mail a cada nova matéria publicada, se devem ser monitorados sites de notícias, blogs ou ambos, se você pretende assinar um RSS etc. Ou seja, imagine a situação: você é um repórter destacado para a cobertura de futebol internacional e esta semana só se fala sobre a possível ida do Kaká do Real Madrid para o Milan. O que fazer? Que tal configurar um alerta solicitando que toda vez que se fale sobre o Kaká você seja informado? Você poderá receber o conteúdo mais relevante sobre este assunto, podendo tanto saber de alguma novidade ou conseguir uma bela sacada de pauta a partir de um comentário de blogueiro. Só não esqueça de dar os créditos ao autor neste caso.
2. Skype
Um repórter viaja para uma cobertura internacional e gostaria de falar algumas vezes com a redação, para pegar sugestões de pautas ou ouvir avaliações sobre o seu trabalho. Usar o telefone obviamente eleva os custos da cobertura, então a solução passa a ser gastar meia hora falando pelo MSN, escrevendo, digitando, tornando o processo mais cansativo. Que tal instalar o Skype ou outro programa de conversação no computador do repórter viajante e no de seus editores? Será possível fazer uma vídeo-conferência ou simular um telefonema de forma GRATUITA!
E não é só isso: o Skype tem um custo de ligação muito baixo mesmo quando utilizado no caminho computador-telefone. O programa ainda pode ser instalado em smartphones, permitindo ligações gratuitas ou bem mais baratas de qualquer lugar que tenha Wifi. Vejam só os preços de ligações feitas a partir do skype para vários lugares do mundo. Tive o cuidado de escolher a tarifa mais cara em cada um dos casos:
Ligações para o Brasil: R$ 0,15 / minuto
Ligações para o Japão: R$ 0,08 / minuto
Ligações para os EUA: R$ 0,06 / minuto
Ligações para a Itália: R$ 0,10 / minuto
Há uma taxa de conexão que não passa de R$ 0,25 e um fone desses que já vem com microfone custa R$ 15. Faça as contas e dê uma olhada nas tarifas aqui no próprio site do Skype. Vale ou não a pena?
3. Google Reader

Você tem alguns sites e/ou blogs que costuma consultar e todos eles têm o recurso de RSS. Que tal reunir todos em um único ambiente, em que você pode agrupá-los por assunto e salvar os seus posts favoritos? Isso é o que permite o Google Reader, uma ferramenta de uso muito simples e que poupa um belo trabalho de pesquisa. Só cuidado porque a ferramenta vicia: você vai adicionando sites e, com o tempo, tem sempre uma lista de itens não-lidos difícil de colocar em dia.
4. Twitter
Essa aqui é meio óbvia, mas vamos tentar levantar aqui alguns usos do Twitter interessantes:
- Peça sugestões de pauta: as pessoas gostam de participar, de colaborar. Perguntem o que elas querem ver no seu site/jornal/TV/rádio. Isso não é vergonha, é prova de maturidade.
- Pedido de personagens: você precisa de uma senhora de 60 anos que tenha sido xingada na fila do banco por fazer valer o seu direito de preferência, mas as únicas pessoas nessa faixa etária que você conhece nunca passaram pelo problema. Solução? Peça ajuda aos seguidores do seu twitter ou aos seguidores do Twitter do seu veículo. Isso é saudável! Alguém vai indicar uma senhora disposta a colaborar e ainda ficar feliz da vida por ter ajudado.
- Faça enquetes: elabore enquetes no TwitPol e envie para os seus seguidores. Você terá uma pesquisa rápida sobre determinado assunto. Só não vá tratar esse resultado como algo oficial de institutos de pesquisa. A ideia é quase uma brincadeira.
Bom, essa área de comentários aqui embaixo é destinada a mais sugestões. Prometo retomar o assunto quando reunir uma nova leva de ferramentas bacanas que podem ser exploradas por jornalistas.
A inclusão digital do professor
October 22, 2010
‘Devemos aprender durante toda a vida, sem imaginar que a sabedoria vem com a velhice’ (Platão)

O professor precisa superar barreiras
Por: Eduardo Mansell
Na semana passada escrevi neste espaço sobre os erros dos candidatos aos mais variados cargos públicos e de suas promessas em relação à inclusão digital dos professores no Brasil. A maioria dos projetos se limita a equipar salas de aula, sem tocar realmente na ferida, que é mostrar ao mestre a importância dele fazer parte do processo e guiá-lo nesta nova caminhada. Como um bom membro da LUNETA DIGITAL, não vou me restringir a apontar erros, mas também discutir possíveis caminhos a serem tomados.
Quando realmente se pretende fazer a inclusão digital do professor o primeiro caminho é identificar o cenário onde se pretende atuar. Sabe qual o grau de conhecimento daquele grupo de professores que, com toda a certeza, será heterogêneo, com diferentes medidas em uma escala de profundidade de conhecimento.
O segundo passo é conscientizar o professor da importância que a inclusão digital terá na sua vida. Por que ele deve ter vontade de fazer parte desse processo e quais as vantagens e desvantagens (sempre tem) que vai caminhar ao lado dele no rumo escolhido. Agindo com clareza será sempre mais fácil mostrar ao professor que a inclusão digital é a melhor escolha.
Professor convencido é hora de colocar o projeto em prática. Primeiro nivelar aquele grupo de professores no que diz respeito ao seu grau de conhecimento técnico. O objetivo não é transformar mestres em especialistas na informática. Porém, para que esse processo seja feliz em seu propósito o professor não pode ter compromisso com erro, precisando evoluir até um nível, pelo menos, básico.
Depois disso vem a parte mais profunda, que é o uso da internet pelo professor. Como ele pode usar arquivos compartilhados, listas de discussões, apresentações em ppts, redes sociais, etc. Abrir a esse professor um mundo novo de possibilidades para que ele não fique preso a uma estrutura de trabalho decadente. Afinal de contas, nenhum profissional pode ser parceiro da falha. Muito menos o professor.
O jornalista precisa entender o seu mundo
October 21, 2010
O jornalista precisa entender do seu mundo
Por: Rafael Louzada
Eu tenho muita curiosidade para saber qual a percepção geral sobre o uso de tecnologias nas redações. Lembro que quando começaram a surgir as primeiras ações multimídia, existia uma resistência grande, um discurso de que exigir de um jornalista de veículo impresso conhecimentos sobre como utilizar uma câmera, pedir uma sonora para uma rádio ou bater fotos eram tidos como artifícios para explorar repórteres e enxugar custos nas redações. E ouvi esse discurso até nas salas de aula da faculdade, com um ar exageradamente romântico e até ingênuo das transfromações que nos vivenciávamos não apenas no jornalismo, mas no mundo.
Foi um período de transição bastante complicado: as empresas ainda não tinham definido claramente aonde deveriam chegar e os jornalistas mantinham resistência às novas práticas (não que tenha mudado muita coisa de lá pra cá). O tempo passou, o cenário começou a se consolidar e em lugar das demissões, aconteceram mais contratações. As empresas entenderam que não é possível que um repórter faça ao mesmo tempo uma cobertura de alta qualidade para TV, rádio e diversos veículos. Talvez esse nem tenha sido o desejo desde o início, mas como essa foi uma interpretação corriqueira, criou-se um problema conceitual. Passou-se a entender o conceito de equipes com capacitação multimídia, o que é muito diferente de “arrancar o couro” de um único cidadão.
Com o tempo, percebeu-se que aquelas mudanças não eram apenas “coisas do jornalismo”, mas sim as mudanças do nosso mundo cotidiano. O que se pede aos repórteres é que carreguem para o seu dia a dia profissional aquelas mesmas facilidades tecnológicas que já levam para o seu dia a dia pessoal. Ou você nunca sacou o telefone para fazer uma foto ou vídeo daquele amigo em uma situação engraçada em uma festa? Não é melhor, por exemplo, em vez de rabiscar freneticamente em um bloquinho, colocar o celular na função de gravação na frente do entrevistado e ter tudo (TUDO!) registrado? Isso não é sacrifício, trata-se simplesmente de fazer uma coisa que o jornalismo sempre pediu, mas que a tecnologia não podia permitir.
Ter uma noção tecnológica mais apurada permite aos jornalistas dos nossos dias que estejam mais próximos aos fatos, que consigam levar a notícia com mais veracidade e mais qualidade aos seus leitores, ouvintes e espectadores. Entender o seu meio é importante para qualquer profissional e os jornalistas que não souberem ou não quiserem fazer parte desse mundo “nerd” vão ficar para trás. Até porque a concorrência agora vai além dos colegas de trabalho convencionais e é invadida pela blogosfera. O que você prefere? O site de um jornal com textos muito interessantes ou aquele blog com vídeos, fotos e uma visão bastante particular e independente do que acontece? O simples fato de haver essa possibilidade de escolha já é um sinal dos tempos.
O android não morde a maçã
October 15, 2010

O bonequinho verde, símbolo do Android do Googloe: dor de cabeça para a Nokia
Por Mauricio Louro
Dia desses conversava com meu colega de Luneta Digital, Rafael Louzada. Falávamos sobre camadas sociais e o mercado de Smartphones e iPad. As enormes filas de espera no primeiro dia de venda do iPhone 4 no Brasil, além da queda considerável da Nokia/Symbian no mercado de Smartphones, em contraste com aqueles que usam o sistema Android - criado pelo Google e que roda em aparelhos Samsung, Motorola, LG, Sony Ericsson e HTC - mostram que há um panorama se concretizando.
O caso mais complicado é o do Symbian - leia-se Nokia - ainda líder de mercado, devendo iniciar 2011 com 35% de market share, segundo pesquisa recente da Gartner Group, empresa americana de consultoria. A estatística é alarmante, considerando que em 2009 essa fatia de mercado beirava os 50%. Alarmante porque essa tendência de queda não deve cessar a curto prazo.
Não é à toa que a Nokia vê abalada sua soberania justamente no momento em que o mercado de Smartphones começa a se aquecer, rumo à popularização. Parece que o pecado foi não ter apostado na crescente democratização do meio, motivada pela evolução tecnológica e o consequente barateamento dos custos. O Google entrou justamente aí com o Android.
E por que o iPhone não está incluído nessa briga - pelo menos não diretamente? A resposta é posicionamento de marca. As longas filas no dia do lançamento confirmam a estratégia correta da Apple, que coloca o seu iPhone 4 como um iPhone, não como um Smartphone. Enfim: o iPhone é exatamente aquilo que a Apple quer que ele seja.
E quanto ao iPad? Bom, levando em conta todo esse histórico de tiro ao alvo certeiro da Apple, obviamente há uma estratégia muito bem bolada por trás do alvoroço em torno do tablet. Que seja. Só há uma última questão que gostaria de levantar: temos gente com cabeça para cuidar de conteúdo para isso tudo? Hora de acordar e abrir os olhos.
A eleição e a inclusão digital do professor
October 13, 2010
Por: Eduardo Mansell
Na semana passada abrimos neste espaço uma discussão sobre os rumos que a inclusão digital poderá tomar no Brasil com os resultados das eleições que estão movimentando o mês de outubro. Confesso que me mostro bastante pessimista em relação a iniciativas tomadas pela maior parte de nossas autoridades, que parecem ter compromisso com o atraso, algo totalmente explicável.
Esse meu sentimento muito tem a ver com as propostas que estamos podendo observar, principalmente em uma área que chama muito a minha atenção, que é a inclusão digital do professor. Escuto muita coisa na linha do vamos comprar centenas de computadores, vamos equipar as salas com projetores, vamos trazer equipamentos modernos de fora do país, etc. Nada contra se modernizar laboratórios e escolas em todo o país. Mas de nada vai adiantar se não tivermos um sério processo de inclusão digital dos professores no Brasil.
Projetos de inclusão digital em escolas baseados apenas na compra de equipamentos, deixando de lado o treinamento dos professores, se tornarão letras mortas em breve. E não venham me falar que inclusão digital de professor é ensinar o mesmo a usar o computador, como é o pensamento de boa parte de nossa classe política. Pois se o princípio para incluir for esse, é melhor deixar como está.
E você professor? O que acha importante ser feito pelas nossas autoridades para que a sua classe se torne de vez 2.0?
Mídias Sociais: "A lição sabemos de cor, só nos resta aprender…"
October 8, 2010

"A lição sabemos de cor, só nos resta aprender" - Beto Guedes na canção "Sol de Primavera". Tudo a ver
Por Maurício Louro
Nas mãos de quem deve ficar a gestão do social media? Este é um grande desafio para as empresas, seja qual for o ramo. Triste, no entanto, é perceber que escolhas tão importantes muitas vezes são feitas aleatoriamente, ou por parâmetros ditados por diretores que pouco entendem do assunto. Grande parte das empresas estão ali por obrigação, sem saber o que fazer. E toma twitter!
Logo de cara, o raciocínio parece ser assim: “mídias sociais = oportunidade de negócios = marketing”. Aí vem o pessoal de Relações Públicas e puxa a brasa para a respectiva sardinha. Essa disputa ganha ares interessantes numa empresa jornalística, na qual o produto é a informação. E toma twitter!
Carlos Nepomuceno, um dos autores do livro “O Conhecimento em Rede“, recorre à História - Reforma Protestante - para exemplificar uma mudança de paradigma semelhante à que vemos hoje com a internet e as mídias sociais. Se naquela época as ideias de Lutero se espalharam da Alemanha para o resto da Europa graças a Gutenberg e a prensa de tipos móveis, agora temos uma profusão de mensagens sem limites de espaço e tempo.
A prensa de Gutenberg existia, bem como as ideias de Lutero. Esse era o ambiente que gerou uma revolução, possível em razão do desejo de saber, característico da natureza humana. Entender que temos aqui uma questão cultural é aprender a lição. O tempo e as ferramentas são outros, mas a História se repete. “A lição sabemos de cor, só nos resta aprender”, como diria Beto Guedes em “Sol de Primavera”, citado mesmo na abertura do capítulo sobre web 2.0 do livro “O Conhecimento em Rede”.
Isso equivale a dizer que verdades de ontem podem ser o tiro no pé de amanhã, ou de daqui a pouco. Enfim, o “Sol de Primavera” - ou a luz no fim do túnel - para as empresas, sejam elas de qualquer ramo, está em compreender que o caminho para entrar no mundo das mídias sociais é romper com algumas estruturas e abrir as portas para novos paradigmas. Trata-se de uma mudança cultural, cujo combustível é o conhecimento.
Como esperar inclusão digital no Brasil?
October 8, 2010

Por: Eduardo Mansell
No último domingo centenas de políticos foram eleitos em todo o Brasil para governar os rumos da nação pelos próximos quatro anos. O noticiário após a eleição dava conta de que já tinha a “bancada da bola”, com nomes de ex-atletas como Romário e Bebeto, a “bancada rural”, com dirigentes prontos para defender seus interesses em relação à Reforma Agrária, e vários outros grupos. Mas confesso que senti a falta de uma bancada específica, a “bancada da inclusão digital”.
A educação tem sido deixada de lado pelos governantes nos últimos anos e estamos jogando várias gerações no lixo. Mas falar isso aqui é “chover no molhado”. Porém seria interessante que alguns dos nossos deputadores e senadores dedicassem algumas horas semanais para elaborar projetos que visem a inclusão digital dos brasileiros. Principalmente de nossos professores. Mas como esperar isso deles?
Infelizmente a inclusão digital dos brasileiros é contrária aos interesses da maioria de nossos governantes. O que seria de vários deles se não fosse a influência de grandes mídias tradicionais, como a televisão e o rádio? Claro que na web também é possível manipular, mas nesse caso o jogo fica bem mais duro. Redes sociais como o Twitter podem se tornar um grande problema para muitos políticos. Basta acompanhar o que se falou no twitter no dia 3 de outubro. Quem resolveu dar um pulinho por lá foi convidado a pensar em muito do que estava acontecendo.
Portanto, a web é democrática demais para a classe política brasileira. É democrática demais para governantes que ainda soltam pérolas que evidenciam o interesse em censurar opiniões. Talvez isso explique a falta de programas sérios de inclusão digital no Brasil.

