O que eu faço com essas mídias?

Estava com esse link guardado para virar post aqui na Luneta há alguns dias. Saiu no Blue Bus: “Universidade dos EUA pode substituir curso de Jornalismo por graduaçao em mídias”. Impossível ler esse texto e não lembrar de cara da velha discussão sobre a necessidade ou não de diploma para jornalismo no Brasil. Eu, pelo menos, sou do time que não vê maiores problemas em acabar com a obrigatoriedade do diploma. Pelo contrário, vejo até benefícios para a área com essa postura.

Os cursos de jornalismo como são ministrados hoje perdem um pouco (muito?) o sentido. A carreira de um jornalista se tornou algo muito mais abrangente que saber escrever um lide ou um off, realizar uma passagem ou registrar uma sonora. O caminho foca-repórter-editor já não é mais o único. No meu caso, nunca sequer foi a prioridade. A carreira do jornalista vai além, ou pelo menos deveria. O mercado de mídia precisa de profissionais que entendam de questões técnicas e também do negócio em que trabalham, de gestão. Olhando por esse prisma, fica muito claro o quanto é limitado pensar apenas em escrever matérias, revisar textos, entrevistar fontes etc.
Na prática, além da teoria da comunicação, hoje as universidades ensinam muito pouco desses ramos multimídia e de gestão. Pergunte a um amigo jornalista qual formação em gestão o editor do jornal/site/rádio/TV em que ele trabalha possui. Normalmente, são repórteres que se destacam e assumem postos de chefia mesmo sem o preparo adequado. Assim, corre-se o risco de ganhar um editor meia-boca e ainda perder um repórter de primeira linha. Esse problema se resolveria se o chefe tivesse um contato mínimo com técnicas de gestão que, ao menos, indicasse ferramentas para ele continuar com os estudos no futuro.
No caso da universidade americana que deu início a esse post, a iniciativa de criar um curso de graduação em mídias é louvável. Repare que não há sequer a preocupação em segmentar um curso com rótulos como “Mídias Digitais”. A mudança vai além disso, sugere que os canais de comunicação agora estão de tal maneira interligados que não faz mais sentido fazer uma separação forte entre mídias digitais e as demais. Todas se falam, todas são mídias. Em vez de perder tempo respondendo a perguntas como “Quais são as mídias digitais?”, os alunos estarão na Universidade debatendo sobre a questão: ‘O que eu faço com essas mídias que tenho em mãos?”. Sejam elas quais forem.

Por: Rafael Louzada

Estava com esse link guardado para virar post aqui na Luneta há alguns dias. Saiu no Blue Bus: “Universidade dos EUA pode substituir curso de Jornalismo por graduaçao em mídias“. Impossível ler esse texto e não lembrar de cara da velha discussão sobre a necessidade ou não de diploma para jornalismo no Brasil. Eu, pelo menos, sou do time que não vê maiores problemas em acabar com a obrigatoriedade do diploma. Pelo contrário, vejo até benefícios para a área com essa postura.

Jornalismo2

Os cursos de jornalismo como são ministrados hoje perdem um pouco (muito?) o sentido. A carreira de um jornalista se tornou algo muito mais abrangente que saber escrever um lide ou um off, realizar uma passagem ou registrar uma sonora. O caminho foca-repórter-editor já não é mais o único (no meu caso, nunca sequer foi a prioridade) e carreira do jornalista vai além, ou pelo menos deveria. O mercado de mídia precisa de profissionais que entendam de questões técnicas e também do negócio em que trabalham. Olhando por esse prisma, fica muito claro o quanto é limitado pensar apenas em escrever matérias, revisar textos, entrevistar fontes etc.

Na prática, além da teoria da comunicação, hoje as universidades ensinam muito pouco desses ramos multimídia e de gerenciamento. Pergunte a um amigo jornalista qual formação em gestão o editor do jornal/site/rádio/TV em que ele trabalha possui. Normalmente, são repórteres que se destacam e assumem postos de chefia mesmo sem o preparo adequado. Assim, corre-se o risco de ganhar um editor meia-boca e ainda perder um repórter de primeira linha. Esse problema se resolveria (ou pelo menos seria um bom começo) se o chefe tivesse um contato mínimo com técnicas de gestão que, ao menos, indicasse ferramentas para ele continuar com os estudos no futuro.

No caso da universidade americana que deu início a esse post, a iniciativa de criar um curso de graduação em mídias é louvável. Repare que não há sequer a preocupação em segmentar um curso com rótulos como “Mídias Digitais”. A mudança vai além disso, sugere que os canais de comunicação agora estão de tal maneira interligados que não faz mais sentido fazer uma separação forte entre mídias digitais e as demais. Todas se falam, todas são mídias. Em vez de perder tempo respondendo a perguntas como “Quais são as mídias digitais?”, os alunos estarão na Universidade debatendo sobre a questão: ‘O que eu faço com essas mídias que tenho em mãos?”. Sejam elas quais forem.

Comentários

One Response to “O que eu faço com essas mídias?”

  1. Diploma apenas para profissionais de Comunicação Social :: Luneta Digital :: Uma outra visão sobre comunicação digital – Cursos, ferramentas, palestras e muito mais on September 15th, 2010 07:34

    [...] o post “O que eu faço com essas mídias?”, do amigo Rafael Louzada, aqui mesmo neste espaço, poderia escrever dezenas e mais dezenas de linhas [...]

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