O que eu faço com essas mídias?

September 14, 2010

Estava com esse link guardado para virar post aqui na Luneta há alguns dias. Saiu no Blue Bus: “Universidade dos EUA pode substituir curso de Jornalismo por graduaçao em mídias”. Impossível ler esse texto e não lembrar de cara da velha discussão sobre a necessidade ou não de diploma para jornalismo no Brasil. Eu, pelo menos, sou do time que não vê maiores problemas em acabar com a obrigatoriedade do diploma. Pelo contrário, vejo até benefícios para a área com essa postura.

Os cursos de jornalismo como são ministrados hoje perdem um pouco (muito?) o sentido. A carreira de um jornalista se tornou algo muito mais abrangente que saber escrever um lide ou um off, realizar uma passagem ou registrar uma sonora. O caminho foca-repórter-editor já não é mais o único. No meu caso, nunca sequer foi a prioridade. A carreira do jornalista vai além, ou pelo menos deveria. O mercado de mídia precisa de profissionais que entendam de questões técnicas e também do negócio em que trabalham, de gestão. Olhando por esse prisma, fica muito claro o quanto é limitado pensar apenas em escrever matérias, revisar textos, entrevistar fontes etc.
Na prática, além da teoria da comunicação, hoje as universidades ensinam muito pouco desses ramos multimídia e de gestão. Pergunte a um amigo jornalista qual formação em gestão o editor do jornal/site/rádio/TV em que ele trabalha possui. Normalmente, são repórteres que se destacam e assumem postos de chefia mesmo sem o preparo adequado. Assim, corre-se o risco de ganhar um editor meia-boca e ainda perder um repórter de primeira linha. Esse problema se resolveria se o chefe tivesse um contato mínimo com técnicas de gestão que, ao menos, indicasse ferramentas para ele continuar com os estudos no futuro.
No caso da universidade americana que deu início a esse post, a iniciativa de criar um curso de graduação em mídias é louvável. Repare que não há sequer a preocupação em segmentar um curso com rótulos como “Mídias Digitais”. A mudança vai além disso, sugere que os canais de comunicação agora estão de tal maneira interligados que não faz mais sentido fazer uma separação forte entre mídias digitais e as demais. Todas se falam, todas são mídias. Em vez de perder tempo respondendo a perguntas como “Quais são as mídias digitais?”, os alunos estarão na Universidade debatendo sobre a questão: ‘O que eu faço com essas mídias que tenho em mãos?”. Sejam elas quais forem.

Por: Rafael Louzada

Estava com esse link guardado para virar post aqui na Luneta há alguns dias. Saiu no Blue Bus: “Universidade dos EUA pode substituir curso de Jornalismo por graduaçao em mídias“. Impossível ler esse texto e não lembrar de cara da velha discussão sobre a necessidade ou não de diploma para jornalismo no Brasil. Eu, pelo menos, sou do time que não vê maiores problemas em acabar com a obrigatoriedade do diploma. Pelo contrário, vejo até benefícios para a área com essa postura.

Jornalismo2

Os cursos de jornalismo como são ministrados hoje perdem um pouco (muito?) o sentido. A carreira de um jornalista se tornou algo muito mais abrangente que saber escrever um lide ou um off, realizar uma passagem ou registrar uma sonora. O caminho foca-repórter-editor já não é mais o único (no meu caso, nunca sequer foi a prioridade) e carreira do jornalista vai além, ou pelo menos deveria. O mercado de mídia precisa de profissionais que entendam de questões técnicas e também do negócio em que trabalham. Olhando por esse prisma, fica muito claro o quanto é limitado pensar apenas em escrever matérias, revisar textos, entrevistar fontes etc.

Na prática, além da teoria da comunicação, hoje as universidades ensinam muito pouco desses ramos multimídia e de gerenciamento. Pergunte a um amigo jornalista qual formação em gestão o editor do jornal/site/rádio/TV em que ele trabalha possui. Normalmente, são repórteres que se destacam e assumem postos de chefia mesmo sem o preparo adequado. Assim, corre-se o risco de ganhar um editor meia-boca e ainda perder um repórter de primeira linha. Esse problema se resolveria (ou pelo menos seria um bom começo) se o chefe tivesse um contato mínimo com técnicas de gestão que, ao menos, indicasse ferramentas para ele continuar com os estudos no futuro.

No caso da universidade americana que deu início a esse post, a iniciativa de criar um curso de graduação em mídias é louvável. Repare que não há sequer a preocupação em segmentar um curso com rótulos como “Mídias Digitais”. A mudança vai além disso, sugere que os canais de comunicação agora estão de tal maneira interligados que não faz mais sentido fazer uma separação forte entre mídias digitais e as demais. Todas se falam, todas são mídias. Em vez de perder tempo respondendo a perguntas como “Quais são as mídias digitais?”, os alunos estarão na Universidade debatendo sobre a questão: ‘O que eu faço com essas mídias que tenho em mãos?”. Sejam elas quais forem.