Liberdade só tem valor quando sabemos usá-la

É possível deduzir que a produção para a web é diferente? Então, precisamos entender como fazer

É possível deduzir que a produção para a web é diferente? Então, precisamos entender como fazer

Por: Maurício Louro

Uma visão deturpada do ‘produzir para a web’ tem me desviado a atenção. Algo do tipo ‘vamos fazer e pronto’. Fazer coisas para a web e produzir para a web são ações que diferenciam o corriqueiro do produtivo. No primeiro caso o efeito é aleatório, diferentemente do segundo. Qualquer um faz coisas para a web, mas nem todos sabem por quê.

Mesmo o caráter democrático da internet diferencia a produção. O pior pensamento que se pode passar na cabeça de um jornalista é o de achar que deve se soltar ao escrever para a web. Isso acontece quando não relacionamos as propriedades particularizadas de textos às propriedades sociais de eventos discursivos.

A comparação é um pouco tosca, mas sugere o que estou querendo dizer: é como ouvir hoje uma música de seresta sem considerar a época em que foi produzida. Achamos engraçada a letra e aqueles trinados exagerados. Aqueles ‘errrrrres’. Já a mensagem…

A facilidade de se lançar conteúdo na web pode atropelar a intenção de fazer a comunicação. Isso é imperdoável para um jornalista, que tem a obrigação de dominar conceitos e estar sempre aberto ao conhecimento. Repórter multimídia virou uma expressão corriqueira, que significa escrever um texto, gravar um vídeo, um áudio, fazer uma imagem, ouvir um especialista, jogar no ar.

Mas não é nada disso. Um repórter multimídia precisa conhecer as mídias, entender o contexto social, identificar o público-alvo, dominar conceitos e obter os efeitos desejados. Ele precisa ser um webwriter. Caso contrário, será um redator, um operador de câmera, um operador de áudio, um fotógrafo e um apurador.

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