Em quem você confia?

September 30, 2010

a web aproxima as pessoas e gera valores. O mais importante é a confiança

a web aproxima as pessoas e gera valores. O mais importante é a confiança

Por Mauricio Louro
É interessante observar a reação das pessoas em relação à internet. Mais ainda quando se fala especificamente em midias sociais e comunicação digital. Compartilho isso diariamente com jornalistas, publicitários e profissionais de marketing. É estranho perceber não a desinformação, mas uma insistência em querer absorver a web a partir do que já existe em rádio, tv, jornais, etc.

Desisti disso logo de cara, quando percebi as reações nos relacionamentos com o público. O contato é quase no corpo a corpo, porém com efeito mais efetivo e eficiente, por se multiplicar espantosamente. Antes de usar o teclado, saiba o que estará fazendo. Há uma cegueira injustificada, pois nunca os meios de produção foram tão disponíveis. Não estar integrado é uma coisa, agora, questionar o poder das mídias sociais é intolerável.

Em quem confiar? Na Folha de São Paulo ou num fulano que faz parte de sua rede no Facebook? Pergunte a si mesmo e pense na resposta. Você quer comprar um livro tal. Vem um amigo seu e diz que comprou o tal livro pela internet e acrescenta: “Pode ir na boa: foi mais barato do que na livraria e entregaram direitinho”. Você “vai na boa” ou vai preferir sair do seu conforto e se deslocar até uma livraria para comprar o tal livro, provavelmente por um valor mais alto?

obs.: aliás, coitado do Romeu Tuma se dependesse da Folha de São Paulo

O mais importante é saber que há escolha. Não se justifica mais o conteúdo fechado, a posse da informação. O usuário altera a navegação com um clique. Essa relação de a empresa oferecer o produto está vencida. O usuário não vai só escolher: é ele quem vai direcionar a produção, porque o produto terá que ter a cara dele.

Então, o que preciso fazer para conhecer melhor esse usuário? Onde está o perfil desse consumidor? A resposta é clara, não? E você, em quem confia?


Sempre há vaga para quem é bom

September 29, 2010

O bom profissional sempre encontra um lugar ao sol

O bom profissional sempre encontra um lugar ao sol

Por: Eduardo Mansell

Nas últimas semanas estamos travando neste espaço várias discussões sobre o papel do profissional de Comunicação Social. Eu mesmo defendo que este seja completo, trazendo com ele conceitos de Jornalismo, Marketing e Relações Públicas. O meu amigo Maurício Louro, por exemplo, citou em um post anterior casos de alguns colegas, muitos em comum, que decidiram deixar de lado redações na busca de “carreira solo”. Todos parecendo bem sucedidos.

Analisando esses últimos posts e as tranformações recentes percebo que Comunicação Social é uma benção para quem curte o assunto e decide investir e se atualizar no ramo. Isso porque, para quem é bom, a oportunidade sempre vai aparecer. Independentemente de relações de trabalho tradicionais ou de cargos de chefia em redações, o profissional de Comunicação Social competente terá sempre seu espaço.

A Luneta Digital tem como objetivo principal compartilhar informações. Seja por intermédio de seus cursos ou de eventos como palestras, por exemplo. Nesses encontros estamos sempre conhecendo pessoas que deram certo. Realmente é impressionante a quantidade que optou por trabalhar para si mesmo. Seja montando uma assessoria de imprensa, prestando consultoria em Marketing Digital ou bolando seu próprio modelo de negócio. No curso que vamos oferecer sobre agência de notícias multimídia um dos módulos visa mostrar como montar a sua própria agência. Um campo que oferece muitas possibilidades e ainda é pouco explorado.

Brincando de adivinhar o futuro

September 27, 2010

Resolvi escrever esse post depois de ver dois vídeos passeando por blogs de mídias digitais e tecnologia nos últimos dias. Os dois parecem coisa de ficção científica, mas ao mesmo se aproximam muito da nossa realidade por tratarem de dois temas “da moda”: celulares e tablets.

O primeiro eu assisti no blog do Tiago Dória, que recomendo fortemente. Foi desenvolvido pela IDEO, consultoria americana especializada em inovação. Os caras fazem sugestões de como seriam livros no futuro, baseadas nas possibilidades que tablets e seja lá quais forem as ferramentas no futuro permitam.

O vídeo começa dando nome a um protótipo, chamado Nelson. Um conceito simples, do qual você pode ter uma infinidade de livros a alguns cliques de distância. É possível, por exemplo, fazer um filtro entre os livros mais debatidos. Escolhe um, folheia as páginas, elege o tema que preferir e começa a ler. De repente, escolhe um parágrafo mais polêmico e dá uma olhada no que as pessoas têm falado sobre ele. A experiência de leitura vai além daquela história de clicar e assistir a um vídeo sobre o assunto. Existe uma interação real e uma forma de complementar a obra que tem muito a ver com a maneira como navegamos atualmente. Eu, por exemplo, adoro passar o olho nos comentários de vídeos que vejo no Youtube. Dali, tiro impressões, interpretações e opiniões sobre aquilo que acabei de ver que complementam a minha experiência.

Outro projeto bacana é o Coupland. Aqui, a ideia de um compartilhamento que influi na experiência também existe. Mas dessa vez,o foco é em um determinado grupo. Por exemplo, você verifica o que os seus amigos estão lendo, o que comentam sobre essas leituras e pimba! Começa a ler o mesmo e contribuir com o debate. Simples assim.

A terceira sugestão chama-se Alice e parece uma mistura de Código da Vinci com jogos de RPG. Imagine o seguinte: você “baixa” um livro, mas os capítulos são liberados mediante a sua presença em determinados locais. É como se você fosse ler o primeiro Best Seller de Dan Brown em Paris e tivesse que visitar o Louvre e outros pontos turísticos para saber como a história se desenrola. Ou seja, você vai precisar estar dentro da trama no sentido mais geográfico possível para dar sequência ao que lê.

Enfim… é tudo fantasia. Mas não muita fantasia… dá pra imaginar alguns elementos desses serem utilizados no futuro. O importante é observar o fico: criar uma experiência mais e mais rica para usuários. E isso, de forma alguma, significa acabar com o livro.

Ah! Lembra que eram dois vídeos? Falei muito aqui e preferi deixar o próximo para outro post. Aguarde. :)

E a Carteira de Trabalho?

September 22, 2010

Quebra de paradigmas sempre foi um objeto da comunicação

Quebra de paradigmas sempre foi um objeto da comunicação

Por Maurício Louro
Fico imaginando como eram as relações profissionais antes da CLT, a Consolidação das Leis do Trabalho, criada na época do Estado Novo, de Getúlio Vargas. Como terá sido o período de adaptação às novas regras, à Previdência Social, ao Fundo de Garantia e a todo o aparato de leis? Hoje parece normal, mas um dia não o foi.

Vou ao passado em razão do que tenho visto no presente em relação ao futuro: as relações do trabalho estão mudando novamente. Seja por causa social, econômica, tecnológica ou até política, o fato é que está cada vez mais difícil obter um bom salário com carteira assinada.

Encarar uma mudança nesse sentido pode ser complicado, pois há uma questão cultural aí, o que acarreta uma resistência natural. Porém, a mim me parece que o caminho está traçado e em mão única. Entendo ainda que isso será tão mais forte para aqueles que trabalham com informação, seja jornalismo, publicidade ou marketing, áreas cada vez mais integradas.

Lembro imediatamente de pelo menos cinco casos de colegas que deixaram as redações e partiram para a “carreira solo”. Todos parecem bem sucedidos na empreitada, certamente por ser a comunicação uma atividade essencial a qualquer ramo profissional. Pois vai ser assim.

Converso muito com meu colega de criação da Luneta Digital, Eduardo Mansell, sobre o conceito de Agência de Notícias. As possibilidades digitais criaram novas perspectivas para esse ramo. O mesmo vale para as assessorias de imprensa. Mansell desenvolveu um curso interessantíssimo sobre Agência de Notícias Multimídia, que fala sobre essa perspectiva, e cujo conteúdo me faz pensar muito a respeito do futuro.

O que empolga é concluir que, apesar de parecerem tão complexas as mudanças culturais a que estamos sujeitos com a inserção de novos paradigmas, a tecnologia existe mesmo para facilitar a vida das pessoas. É claro que, por preguiça, tem gente que não quer entender isso. Mas acredito que um dia teremos sim o conhecimento como a grande moeda social.

Agências de notícias: novas oportunidades

September 22, 2010

Por: Eduardo Mansell

“Vem, vamos embora. Que esperar não é saber. Quem sabe faz a hora. Não espera acontecer” (Geraldo Vandré)

Agence_France_Presse logoRecentemente li uma notinha dizendo que a France-Press vai oferecer a seus clientes serviços de vídeos de alta definição. Em um primeiro momento, a terceira maior agência de notícias do mundo vai disponibilizar vídeos em inglês e francês. Posteriormente novas línguas serão incorporadas ao projeto, incluindo o português. Essa informação me deixou muito satisfeito, pois mostra que esse mercado de agências de notícias está antenado com a necessidade de mudar o seu modelo de negócios com a presença da Internet.

Em um mundo onde as pessoas não parecem dispostas a pagar por conteúdo, as agências de notícias sabem que precisarão reinventar a sua maneira de atuar no mercado. E acompanhar o processo de inovações tecnológicas é fundamental. A France-Press adotando essa postura, a mesma se torna mais sintomática. Para quem não sabe está é a primeira agência de notícias da história, tendo surgido em 1835, com o nome de Havas.

A verdade é que as agências de notícias precisam reinventar a roda para não ficarem paradas no tempo. É preciso apostar em formatação, em novas estratégias, em segmentação e, principalmente, é fundamental perceber onde as oportunidades estão. Elas ainda existem e em grande escala, mas é preciso abrir a cortina para ver muito além das redações.

Quem se interessou pelo tema convido a participar do curso Agência de Notícias Multimídia, que a LUNETA DIGITAL estará oferecendo em outubro na Universidade Salgado de Oliveira (Universo) de Niterói.

Ipad: uma nova experiência em conteúdo

September 20, 2010

Por: Rafael Louzada

No final da semana passada, finalmente tive um contato mais prolongado com um Ipad.  Usei o brinquedo por um bom tempo, acessando redes sociais, jogos, sites de notícias e, claro, aplicativos de todo tipo, especialmente os de conteúdo jornalístico. A impressão geral é similar ao que tenho visto as pessoas comentarem: o Ipad proporciona uma experiência nova, unindo a portabilidade do papel com o caráter multimídia de computadores e celulares.  Mais do que poder clicar em uma publicidade para receber novas  informações sobre o produto ou serviço anunciado, o equipamento permite uma variedade de formas de navegar impressionante. Sem limite de espaço, é infinita a quantidade de informações disponíveis a um toque na tela.

Para quem trabalha com jornalismo, é impossível vivenciar essa experiência sem pensar naquela pergunta que já se faz desde que a internet começou a sua revolução: os jornais vão sobreviver a tantas novidades? Eu nunca acreditei que os jornais fossem morrer, mas confesso que acreditava que o papel sempre teria o seu valor, pela portabilidade. Mas a minha resposta foi mudando à medida em que clicava e me divertia com o Ipad: os jornais não só não vão morrer como estão prestes a ganhar um mundo novo para explorarem.

102059898Para entender isso, vamos criar um cenário e agora colocando no mesmo pacote os tablets em geral e não apenas o Ipad. Imagine um mundo em que todo mundo tem um tablet, em que sua distribuição é muito barata ou até gratuita. Todo mundo tem o seu próprio equipamento para acesso a conteúdo de todo tipo, carregado embaixo do braço. Até as crianças de casa “baixam” seus gibis. Os pais mais conservadores são os que leem a história do Chapeuzinho Vermelho para as crianças, mas muitos simplesmente colocam o Ipad ao lado do berço com o “livro” tocando. Nesse mundo, não faz mais diferença se você tem um livro, CD, DVD ou Blueray. Arquivo de mídia toca no tablet e ponto final. Aquela criança cresce com raros contatos com livros que hoje chamamos de convencionais. Para ela, o normal é ler no tablet. Assinatura, por exemplo, é coisa feita com impressão digital. Aqui, a pergunta é: “Para que usar papel?”.

Claro que muita coisa ainda nos separa desse cenário, sob dois aspectos principalmente: cultural e financeiro. Os dois caminham juntos: à medida que os tablets entram no dia a dia das pessoas, o tipo de conteúdo gerado para essas plataformas ganha relevância econômica. E à medida que ganham relevância econômica, mais coisas são criadas e mais influenciam na cultura das pessoas.

Portanto, a minha impressão é de que agora é uma questão de tempo para vivenciarmos uma realidade nova. Muito tempo, diga-se de passagem. Em um país como o Brasil, em que muita gente não tem dinheiro sequer para comprar comida, não vejo sequer a longo prazo os tablets dominando o mercado. A TV levou 40 anos para se consolidar e, por mais que hoje a velocidade desse tipo de mudança seja outra, vale atentar para um detalhe: durante muito tempo, bastava uma TV em casa para atingir toda a família. Tablet naquele cenário descrito acima tem uma utilidade individual. Cada um vai precisar ter o seu. E até termos uma geração inteira que não dê a mínima para o papel, ainda falta muito.

Bom… o assunto não se esgota. Ainda preciso organizar melhor as minhas ideias para voltar a falar disso sob o ponto de vista das empresas de conteúdo. Se é que vai continuar havendo essa separação tão clara entre empresas de conteúdo e as demais. Volto em breve.

Diploma apenas para profissionais de Comunicação Social

September 15, 2010

Por: Eduardo Mansell

“Nossos corpos se procuram, se descobrem se misturam, nesse instante eu sou você, você sou eu” (Paulinho Rezende / Paulo Debétio)

Lendo o post “O que eu faço com essas mídias?”, do amigo Rafael Louzada, aqui mesmo neste espaço, poderia escrever dezenas e mais dezenas de linhas comentando as minhas impressões sobre o assunto. Por exemplo, não concordo com o fim do diploma de jornalista e muito menos o fim do curso de Jornalismo. Mas acredito que é possível uma grande modificação.

Concordo que o modelo atual desses cursos é ultrapassado. Culpa das universidades, em sua maioria, que não conseguiram se adaptar a uma nova realidade de mercado. Essas novas mídias acabaram forçando com que um profissional formado em Comunicação Social não tivesse mais o direito de escolher se pretende ser jornalista, publicitário ou relações públicas. Hoje, um profissional de Comunicação Social precisa ser um pouco desses três. Apenas a soma dos ingredientes é que vai garantir o sucesso da receita.

Hoje um jornalista não pode se limitar a ter um bom texto. Até porque isso é o mínimo que se espera dele. Um jornalista tem que saber, na Web, por exemplo, a usar da melhor maneira possível os conteúdos agregados que tem a sua disposição. Qual vídeo escolher para completar a minha matéria? Qual foto ilustra melhor meu texto? Quais links devo disponibilizar para facilitar o entendimento do que escrevi e fortalecer meu ponto de vista? Qual título é mais provocante (não entendam apelativo, por favor)?

Esse conjunto de escolhas em uma simples matéria faz com que esse jornalista precise saber a forma ideal de “vender seu peixe”, ou melhor, “vender seu texto”. Logo, esse jornalista precisa também ser um profissional de Marketing, capaz de dar credibilidade ao que escreve.

E no caminho contrário. Os profissionais de agência de publicidade precisam cada vez mais de bons textos, de fazer seu conteúdo ser bem posicionado em mecanismos de busca, de fisgar o máximo de pessoas para as suas propagandas. Logo, esse publicitário também é um jornalista.

Sobre o relações públicas, esse enfim, nada mais é do que um profissional de Comunicação Social que tem que saber assessoria de imprensa tão bem quanto um jornalista e divulgar sua empresa ou ponto de vista tão bem quanto um publicitário.

Logo, o curso de Jornalismo deve acabar, assim como o de Publicidade e Propaganda e do Relações Públicas. Todos devem sofrer uma fusão para que dos bancos das universidades saiam profissionais de Comunicação Social.

O que eu faço com essas mídias?

September 14, 2010

Estava com esse link guardado para virar post aqui na Luneta há alguns dias. Saiu no Blue Bus: “Universidade dos EUA pode substituir curso de Jornalismo por graduaçao em mídias”. Impossível ler esse texto e não lembrar de cara da velha discussão sobre a necessidade ou não de diploma para jornalismo no Brasil. Eu, pelo menos, sou do time que não vê maiores problemas em acabar com a obrigatoriedade do diploma. Pelo contrário, vejo até benefícios para a área com essa postura.

Os cursos de jornalismo como são ministrados hoje perdem um pouco (muito?) o sentido. A carreira de um jornalista se tornou algo muito mais abrangente que saber escrever um lide ou um off, realizar uma passagem ou registrar uma sonora. O caminho foca-repórter-editor já não é mais o único. No meu caso, nunca sequer foi a prioridade. A carreira do jornalista vai além, ou pelo menos deveria. O mercado de mídia precisa de profissionais que entendam de questões técnicas e também do negócio em que trabalham, de gestão. Olhando por esse prisma, fica muito claro o quanto é limitado pensar apenas em escrever matérias, revisar textos, entrevistar fontes etc.
Na prática, além da teoria da comunicação, hoje as universidades ensinam muito pouco desses ramos multimídia e de gestão. Pergunte a um amigo jornalista qual formação em gestão o editor do jornal/site/rádio/TV em que ele trabalha possui. Normalmente, são repórteres que se destacam e assumem postos de chefia mesmo sem o preparo adequado. Assim, corre-se o risco de ganhar um editor meia-boca e ainda perder um repórter de primeira linha. Esse problema se resolveria se o chefe tivesse um contato mínimo com técnicas de gestão que, ao menos, indicasse ferramentas para ele continuar com os estudos no futuro.
No caso da universidade americana que deu início a esse post, a iniciativa de criar um curso de graduação em mídias é louvável. Repare que não há sequer a preocupação em segmentar um curso com rótulos como “Mídias Digitais”. A mudança vai além disso, sugere que os canais de comunicação agora estão de tal maneira interligados que não faz mais sentido fazer uma separação forte entre mídias digitais e as demais. Todas se falam, todas são mídias. Em vez de perder tempo respondendo a perguntas como “Quais são as mídias digitais?”, os alunos estarão na Universidade debatendo sobre a questão: ‘O que eu faço com essas mídias que tenho em mãos?”. Sejam elas quais forem.

Por: Rafael Louzada

Estava com esse link guardado para virar post aqui na Luneta há alguns dias. Saiu no Blue Bus: “Universidade dos EUA pode substituir curso de Jornalismo por graduaçao em mídias“. Impossível ler esse texto e não lembrar de cara da velha discussão sobre a necessidade ou não de diploma para jornalismo no Brasil. Eu, pelo menos, sou do time que não vê maiores problemas em acabar com a obrigatoriedade do diploma. Pelo contrário, vejo até benefícios para a área com essa postura.

Jornalismo2

Os cursos de jornalismo como são ministrados hoje perdem um pouco (muito?) o sentido. A carreira de um jornalista se tornou algo muito mais abrangente que saber escrever um lide ou um off, realizar uma passagem ou registrar uma sonora. O caminho foca-repórter-editor já não é mais o único (no meu caso, nunca sequer foi a prioridade) e carreira do jornalista vai além, ou pelo menos deveria. O mercado de mídia precisa de profissionais que entendam de questões técnicas e também do negócio em que trabalham. Olhando por esse prisma, fica muito claro o quanto é limitado pensar apenas em escrever matérias, revisar textos, entrevistar fontes etc.

Na prática, além da teoria da comunicação, hoje as universidades ensinam muito pouco desses ramos multimídia e de gerenciamento. Pergunte a um amigo jornalista qual formação em gestão o editor do jornal/site/rádio/TV em que ele trabalha possui. Normalmente, são repórteres que se destacam e assumem postos de chefia mesmo sem o preparo adequado. Assim, corre-se o risco de ganhar um editor meia-boca e ainda perder um repórter de primeira linha. Esse problema se resolveria (ou pelo menos seria um bom começo) se o chefe tivesse um contato mínimo com técnicas de gestão que, ao menos, indicasse ferramentas para ele continuar com os estudos no futuro.

No caso da universidade americana que deu início a esse post, a iniciativa de criar um curso de graduação em mídias é louvável. Repare que não há sequer a preocupação em segmentar um curso com rótulos como “Mídias Digitais”. A mudança vai além disso, sugere que os canais de comunicação agora estão de tal maneira interligados que não faz mais sentido fazer uma separação forte entre mídias digitais e as demais. Todas se falam, todas são mídias. Em vez de perder tempo respondendo a perguntas como “Quais são as mídias digitais?”, os alunos estarão na Universidade debatendo sobre a questão: ‘O que eu faço com essas mídias que tenho em mãos?”. Sejam elas quais forem.

O 'Conteúdo Inteligente'

September 11, 2010

Conhecimento é a palavra-chave na web

Conhecimento é a palavra-chave na web

Por Maurício Louro

A web exige o exercício do ‘conteúdo inteligente’. Pode até ser uma ‘bobagem’, desde que se produza uma forma inteligente de expressar essa ‘bobagem’. Exige um refinamento do jornalista que o irá diferenciar do comum, uma vez que qualquer um produz para a web.

Quando nos treinamentos, palestras ou cursos, digo sempre que o texto da web precisa ser inteligente. Quero dizer no sentido de saber o que se está fazendo, para quem se está produzindo e, principalmente, qual o efeito pretendido.

O efeito, no caso, é o ato de ser compreendido, o fazer comunicação. Vale para todo tipo de conteúdo.

A busca por informações na web é específica, bem como a audiência. Deve-se monitorar a concorrência, mas a leitura da audiência não pode ser a mesma da televisão, rádio, jornais, etc.

Se o cara está interessado em esporte ele vai buscar o que está na memória, sem traços de fidelidade. Daí a importância da marca.

A web aproximou muito as linguagens utilizadas na publicidade e no jornalismo. Porém, é preciso entender isso. Por exemplo, ‘vender’ uma notícia não significa fazer propaganda. Mas é possível visualizar - ou buscar - uma interseção entre os contextos do usuário e do próprio fato.

Há vários modos de adotar essa prática, o que não cabe aqui neste post. Quero apenas dizer que o princípio está em saber fazer uso do bom senso, compreender o contexto da informação e perceber se ela se encaixa ou não a determinada audiência.

Isso me faz acreditar que a web não recriou o jornalismo. Fez mais. Deu um sentido, uma razão para novamente voltemos a chamá-lo de ofício.  Não é para qualquer um…

A Inclusão Digital do Professor

September 8, 2010

 

O professor sem inclusão digital é um quadro negro com muito espaço a ser preenchido

O professor sem inclusão digital é um quadro negro com muito espaço a ser preenchido

Por: Eduardo Mansell

Semana passada escrevi o post Universidade x Mercado para tratar das diferenças entre o que os jovens encontram nas universidades e a realidade do mercado. Sigo falando sobre educação. Mas agora sobre outro assunto a ser discutido.

Muito se fala sobre a importância da inclusão digital dos jovens. O tema é fundamental e apaixonante. Porém, tão importante quanto incluir os nossos jovens nessa nova era é proporcionar aos seus professores a possibilidade de se prepararem para lidar com essas mudanças. Isso porque, em muitos lugares, quando o assunto é web o que podemos perceber são alunos do próximo século e professores do século passado. Este cenário é culpa de todas as partes envolvidas no processo, mas pode ser modificado.

Quem comanda a educação deve investir na inclusão digital do professor. Isso na esfera pública, assim como no ensino particular. Infelizmente, ainda na maioria dos casos, o que se vê são alguns poucos professores interessados e pesquisando sobre os avanços tecnológicos, buscando novos meios de usar a web como plataforma para as suas aulas.

Mas o professor também tem a sua parcela de responsabilidade. Em muitos casos ele se fecha em uma redoma acreditando ser a maneira que ele ensina a mais adequada, sem ter a necessidade de usar novas tecnologias. Verdadeiros dinossauros à frente de alunos que precisarão conhecer os novos rumos do relacionamento, da ciência, da comunicação e dos negócios. Rumos esses que apenas com o auxílio da Web eles encontrarão.

Recentemente fui informado que uma professora da rede pública do Rio de Janeiro tentava obrigar um aluno a acabar com uma comunidade criada por ele no Orkut. A comunidade dizia que ele odiava a aula da tal professora. Será que esta escolheu a melhor forma de lidar com o assunto? Não. Provavelmente porque sequer sabia usar um computador, pois, se soubesse talvez pudesse usar a própria rede social para resolver o problema. No mesmo dia li uma reportagem que trazia a informação de que crianças de quatro anos começariam a aprender sobre o uso de redes sociais na Alemanha. Quanta diferença….

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