Folha de São Paulo: Cadê o Futuro?
maio 25, 2010
Hoje, foi surpreendido por uma conversa entre algumas pessoas da minha equipe de trabalho. Designers e jornalistas debatendo sobre o novo projeto gráfico da Folha Online. Minutos depois, recebi um e-mail com este link, que me levou a um documentário sobre a reformulação pela qual passou o jornal/site. Na hora, preferi não me manifestar sobre o novo projeto. Guardei o tal link e vi há pouco, em casa. Quis escrever esse texto logo após ver o vídeo e dar uma rápida navegada pelo site da Folha. Talvez até o fim da semana, bata uma vontade daquelas de escrever um outro texto, complementando minha análise. Mas o vídeo despertou tanta coisa que preferi me adiantar.
Na tal conversa de amigos no trabalho, a principal crítica era sobre a forma como a Folha alardeou a sua reformulação e o que teria feito de verdade. Explico: o jornal promoveu a sua mudança como o nascimento de um novo parãmetro de jornalismo, a ponto de o documentário a que me referi começar com a frase: “Enquanto todos discutiam o futuro do jornal, a Folha fez o Jornal do Futuro”. Na prática, no entanto, vimos apenas mais uma reformulação de layout, diagramação e disposição.
Naquele momento, imaginei que as tais mudanças aconteceriam nos bastidores, que a redação ganharia uma nova dinâmica, um novo ritmo… e fiquei ansioso para ver o tal documentário. Esperava ver alguma explicação sobre o “como funciona” da Folha. Confesso que bateu uma certa decepção. Nos 18 minutos de documentário, a grande inovação na gestão da redação foi a união entre a equipe do impresso e o online. Ou seja, o jornal do futuro tem a mesma dinâmica que outros jornais já anunciaram ou pelo menos perseguem há um bom tempo, como o LANCE! (2006), o Estadão (2007) e o Globo Online (2008).
O documentário é focado nas mudanças no impresso: como as fotos devem ser exploradas, quais cadernos novos existem, a importânica de se produzir conteúdo multimídia (será que isso ainda precisa ser discutido? Um jornal ainda pode tirar onda por ter essa sacada?) etc. Doeu ouvir do responsável pela reformulação no projeto gráfico (não fica claro o seu grau de influência no projeto como um todo) uma frase como: “Aqui, é uma paquera, enquanto esse aqui é o que eu levo para a cama”. O primeiro “aqui” era o Ipad, o segundo era o jornal impresso.
Prefiro a colocação da Monica Bérgamo, editora da coluna que leva o seu nome: “Acho que não pode ser a preocupação de um repórter saber se o jornal vai ou não acabar. Acho que a preocupação de um repórter deve ser colocar as suas informações em qualquer plataforma.” Obrigado, Mônica. Valeu o documentário.
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PS 1: Ainda acredito que o documentário deu o enfoque citado acima à mudança porque o impresso ainda é o carro-chefe da empresa, mas que na verdade, houve, sim, inovações na gestão da Folha.
PS 2: Por que o Simão só aparece pra fazer piadinhas? Era uma ótima oportunidade para saber a opinião dele colocada de forma séria. Sugerir que as notícias tenham 140 caracteres, como no Twitter e cair na gargalhada não é exatamente uma reflexão.

