O que esperar sobre o ensino de jornalismo?

fevereiro 23, 2010

Por: Rafael Louzada

Vejam que texto interessante sobre o ensino de jornalismo. Não sei se esse duelo entre o acadêmico e a prática acontece com tanta ênfase em outras carreiras. Imagino que não seja lá muito diferente. Mas especificamente sobre essa dualidade na nossa área, isso é gritante. Parece que falta… comunicação (!!).

Segue o link do texto, de autoria do Rogério Christofoletti e indicado pela Raquel Recuero via Twitter. Nosso agradecimento a quem produz e compartlha conhecimento.

Como você organiza seus projetos?

fevereiro 21, 2010

Por: Rafael Louzada

Esse mês, fui apresentado a dois recursos que achei fantásticos para gerenciamento de projetos. Um deles para aqueles mais parrudos, com mega-cronogramas, apresentações formais etc. O outro, para simplesmente ser possível fazer um brainstorm em que tudo é registrado em tempo real. E o melhor: tudo pode ser registrado no mesmo ambiente, por várias pessoas e online. Vamos ao primeiro.

1. “Project” Online

project

As aspas estão ali porque não vou falar exatamente do Project, o mais famoso dos programas de gerenciamento e caro pra chuchu. A ideia é falar aqui sobre uma versão gratuita que se auto-intitula o software gratuito mais próximo do Project. Trata-se do Serena Open Proj. É simples de usar e ajuda a fazer cronogramas, gerar estruturas analíticas de projetos (EAP) e tem ainda aquele bando de recursos que você vai utilizando à medida que precisa.

Para os leigos, segue um exemplo do quão interessante pode ser usar esse software: imagina que você monte o seu cronograma e, de repente, surja uma nova tarefa, a ser executada ainda no início do projeto. O primeiro impulso é pensar “Puts… ferraram todo o meu cronograma, que tinha ficado tão bonitinho no Excel”. Mas não… Aqui, você simplesmente inclui uma única tarefa, informa quanto tempo ela vai levar, quais devem estar prontas para que ela seja iniciada e pronto. Todas as datas são remanejadas.  Divirta-se e descubra outros exemplos.

2. Mapa Mental


Mind

Essa dica é mais lúdica e, por isso mesmo, ainda mais interessante: uma forma de criar um mapa mental online, compartilhado com os seus parceiros em um projeto instalados cada um em sua casa ou em sua sala/mesa. Acesse aí o Mind Meister e divirta-se.

Imagine a seguinte situação: você vai começar um projeto, mas quer organizar as áreas que serão desenvolvidas nele: programação, layout, usabilidade etc. A partir desse mapa, você consegue criar em um mesmo ambiente essas áreas e avisa à galera da sua equipe: designer, vai preenchendo a parte de layout, programador, pega a programação e assim por diante. O barato é que todo mundo está vendo o que está sendo feito. Assim, um pode influenciar na área do outro, dar pitacos, incluir coisas. O designer pode, por exemplo, adicionar um bracinho na programação. Usa aí e depois conta pra gente se não é legal.

Redes Sociais desfilam no Carnaval

fevereiro 18, 2010

Por: Rafael Louzada

orkut_carn_2008É no mínimo digno de registro que a ideia do enredo campeão das escolas de samba do Rio de Janeiro tenha chegado ao carnavalesco da Unidos da Tijuca por um depoimento do orkut.  A sacada foi de um menino de 15 anos, estudante do Ensino Médio, que sonha fazer faculdade de belas Artes e se tornar carnavalesco.

Nessa matéria que eu linkei no parágrafo anterior, o garoto conta que “achou” o Paulo Barros no orkut e resolveu tentar a sorte.  Há alguns (muitos) anos,  seria como você passar por um bar da zona sul, cutucar um certo senhor com pinta de compositor e sugerir: “Seu Vinícius (ou seu Tom), não seria bacana fazer uma música sobre uma mulher linda, cheia de graça, que vive em Ipanema?”.

Pelo amor de Deus, não estou colocando no mesmo patamar Paulo Barros e Vinícius de Morais ou Tom Jobim. Muito menos igualando o desfile da Unidos da Tijuca deste 2010 com “Garota de Ipanema” em termos de relevância para a cultura brasileira. Não cometeria essa heresia. Mas a questão é ver o quanto aquelas pessoas tão distantes agora se aproximam.

Esse garoto que enviou a mensagem ao Paulo Barros é salgueirense, tijucano. Foi encontrar o Paulo Barros no orkut e não na Praça Saes Peña. Encontrou o carnavalesco que deve ter um quê de ídolo no orkut, o mesmo campo onde um japonês poderia ter comentado ou uma alemã. Ou um brasileiro que morasse no Japão ou Alemanha. Vale pra pensar. As redes sociais aproximam a gente, mesmo que seja de quem já está perto.  Todas as outras formas de contato continuam por aí. Junto às nossas redes online e amigas.

Conteúdo é poder na Internet

fevereiro 17, 2010

Por Eduardo Mansell

 

O Brasil se prepara para mais um ano eleitoral. A disputa já começou em vários estados e principalmente na esfera federal. Os partidos que já definiram seus candidatos, esperando apenas a oficialização dos nomes, já podem trabalhar com um passo de vantagem. Mas os pré-candidatos também procuram fortalecer suas marcas pessoais para vencerem a disputa interna e não ficarem tão para trás quando forem encarar os rivais externos. Mas para nós o que interessa saber é como a Web vai interferir nesta disputa, pois atualmente um postulante a cadeiras públicas não pode ignorar essa forma de comunicação.

Gabeira usa a internet como poucos (Foto: blog do candidato)

Gabeira usa a internet como poucos (Foto: blog do candidato)

 

Antes que uma voz discordante se levante e me lembre que grande parte da população não tem acesso ao computador, ou que o Brasil está atrás de 14 países da América Latina no Ranking de pobres em contato com a Web, ou que a Internet ainda não é o grande meio de uma campanha, gostaria de pedir um minuto de reflexão. Mas não agora, apenas depois de discutirmos alguns fatos.

Na última eleição presidencial nos Estados Unidos 47% dos eleitores admitiram que a Internet era sua principal fonte de informação. Vídeos e redes sociais eram os mais acessados. O então senador Barack Obama usou 73% mais a Web do que seu principal concorrente, John McCain. O pleito norte-americano aconteceu em 2008.

Claro que estava me referindo à realidade dos Estados Unidos, muito diferente do que acontece no Brasil. Porém naquele mesmo ano nós vivíamos as eleições para prefeitos e vereadores em todas as cidades do país. No Rio de Janeiro Eduardo Paes estava assegurado no segundo turno, enquanto Marcelo Crivela parecia caminhar tranquilamente para ser o rival. Porém, na reta final da campanha na capital carioca surgiu o fenômeno Fernando Gabeira. O candidato verde foi para o segundo turno e por poucos votos não se elegeu.

Naquele pleito Gabeira, com pouquíssimo tempo de televisão, não teve dúvidas em fazer da Web seu ponto principal de campanha, um palanque invejável. Usou a Internet como poucos. Forçou seu concorrente no segundo turno a fazer o mesmo. Hoje, vários secretários do prefeito Eduardo Paes são verdadeiros viciados, no bom sentido, em redes sociais. Quem duvidar basta visitar, por exemplo, a página no twitter de Claudia Costin, secretária de educação, que parece postar a todo minuto. No fim Gabeira tinha o apoio de várias pessoas influentes em redes sociais, blogueiros muito acessados e diversos assessores virtuais que lhe prestavam serviço de graça, apenas por acreditarem que suas ideias eram as melhores.

O ex-prefeito César Maia, por exemplo, era adorado por boa parte do funcionalismo público que comandava pelo simples fato de não deixar um e-mail sem resposta. Podia ser queixa, reclamação, dúvidas, o que fosse, ninguém ficava sem a resposta do prefeito. Hoje, mesmo fora do cargo, possui uma mala direta superior a 37 mil eleitores. Qual candidato dispensa esses números?

Alguns candidatos perceberam a força da Internet e 2010 pode marcar a primeira eleição em que a Web pode decidir vários vitoriosos. No fim de janeiro, em visita a Campus Party, feira de internet e tecnologia em São Paulo, a senadora Marina Silva, pré-candidata do PV à presidência, deu a seguinte declaração após aprender a usar o Google Maps.

- Essa não é uma visita artificial, pois pretendo usar muito essa ferramente (Internet) em minha campanha. Os candidatos mais do que nunca vão precisar ter uma mensagem a dizer aos internautas, pois isso pode ser decisivo no pleito – disse Marina.

Pouco depois Marina Silva divulgava detalhes de sua estratégia de web. Ela está certa. Além disso, a ministra se comprometeu a não usar a Internet para agredir seus concorrentes, pois entende ser isso um risco que pode se voltar contra ela. Simples, o internauta normalmente é um formador de opinião muito mais forte do que uma estrela de cinema. Quem o segue no twitter, por exemplo, confia numa recomendação sua muito mais do que a palavra de uma celebridade. Logo, se ele achar um candidato agressivo, coitado deste. Só para constar, pouco depois da visita de Marina, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, também apareceu no evento.

O fato é que hoje a Internet é uma realidade eleitoral. Um candidato a deputado estadual que faz um grupo de discussão na web, que usa ferramentas como Twitter e Facebook tem muito mais chances de conquistar votos do que um analfabeto digital. Simples, agradando ele força uma corrente natural, boca a boca, voto a voto, sem limite de tempo ou de espaço. O sonho de qualquer candidato. E nesse jogo não dá para ficar para trás, pois não se tem como impedir que um rival seu use o jogo.

- Eles (Dilma e Serra) anteciparam a campanha na Internet. Agora é injusto dizer para os outros jogadores: “não joguem” – disse Marina Silva na mesma feira, numa clara amostra de que o pleito de 2010 vai ser importante na Web até mesmo em uma esfera federal. Imagine na sua cidade. Se antes quem tinha a informação tinha o poder, hoje não há mais dono da informação e, portanto, melhor fazer bom uso dela.

Beyoncé, Youtube, música, Single Ladies…

fevereiro 16, 2010

Por: Rafael Louzada

Sei que já demorei um pouco a fazer esse post, mas é aquela história… antes tarde do que nunca. Não sei quantos dos que passam aqui por esse espaço foram a algum show da Beyoncé na turnê que passou pelo Brasil no início de fevereiro. Mas eu fui um deles e fiquei impressionado com o uso que a equipe da cantora fez de conteúdo gerado pelos seus próprios fãs. Simplesmente não esperava.

Frame do clipe da música Single Ladies, da Beyoncé

Frame do clipe da música Single Ladies, da Beyoncé

A sacada foi a seguinte: todo mundo já ouviu em algum lugar a música Single Ladies, da morena. Aposto que a maioria também já viu um clipe da música, aquele famoso em que ela aparece de maiô junto a duas dançarinas rebolando pela tela. Muitas dessas pessoas já devem ter visto ainda algum tipo de sátira: eu, por exemplo, já tinha visto o Rodrigo Faro em algum programa da Record rebolando à la Beyoncé, vi três moças fazendo a coreografia em um quadro daqueles do Luciano Hulk em que pessoas precisam pagar uma prenda pra ganhar um prêmio e vi ainda o Justin Timberlake rebolando no Saturday Night Live.

O que eu nunca tinha percebido era que, quando você digita “Single Ladies” no Youtube, aparece essa singela relação de links. Sim, eu não sabia, mas a equipe da Beyoncé percebeu e tascou no show. O hit praticamente é tocado duas vezes: a primeira com takes de diversos desses vídeos publicados no youtube, arrancando gargalhadas e gritos histéricos de quem vai ao show. A segunda, com a performance da rebolativa cantora, ao vivo e a cores. Fantástico, nos dois casos.

O curioso é que eu tentei encontrar na rede algum lugar que desse prêmios, que convidasse usuários a fazer tais vídeos. Não encontrei. Pode ser um problema da minha pesquisa, mas a princípio, acredito que foi espontâneo. O clipe é tão simples (não tem cenário, só fundo branco) que as pessoas se sentiram no direito de fazer as suas próprias versões e postar no Youtube.  Não faço ideia também se foi proposital essa simplicidade do clipe. Acho difícil. Mas de qualquer forma, ficou a admiração pelo show e especialmente por essa parte. Grande sacada!

Um caminho sem volta

fevereiro 11, 2010

(FOTO: Lutero, o filme)

Por Eduardo Mansell

Bastante interessante o post CONHECIMENTO X TÉCNICA que o amigo Maurício Louro publicou neste espaço. Nele é abordado um dos aspectos que considero mais interessante na análise de tudo o que vem acontecendo na Web. Falo sobre as reações às possibilidades geradas por um novo meio de comunicação. Todo processo inovador, toda revolução, toda mudança sempre vai gerar os mais variados tipos de reações, principalmente de quem tem medo do que está por vir. Mas isso é inevitável.

Quando Martinho Lutero pregou as 95 teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, dando início à Reforma Protestante, foi inevitável a reação da Igreja Católica. Mas por que abordar isso em um post sobre a revolução da Web? simples, pois as duas possuem semelhanças em excesso. Antes de Lutero já havia uma insatisfação com a Igreja e com a cobrança de indulgências. Muitos já defendiam que essa mesma Igreja se afastasse dos interesses materiais terrenos. Os que fizeram isso antes de Lutero talvez não tenham durado muito para discutir a história.

Então o que fez Lutero prosperar? igualmente simples, Lutero foi favorecido por uma outra revolução, pela invenção de Johannes Gutenberg, ourives de profissão, que apresentou ao mundo a primeira impressora com tipos móveis. A partir dali o custo de um livro despencou na Europa e a Igreja deixou de ser a guardiã da informação. As 95 teses passaram a correr o Velho Continente.

Nos últimos anos, e ainda hoje, estamos lidando com situação parecida. No jornalismo e nas redações isso se torna ainda mais claro. Os chamados “Guardiões da Informação” perceberam que não possuem mais tesouros para esconder e que a informação hoje corre o mundo pelas bandas da Web. As reações geradas a esse novo meio não se diferem em nada das reações da Igreja contra Lutero.

No início desta década mesmo os Estados Unidos acompanharam esse processo de forma ainda mais intensa, através da Blogsfera, como foi denominada a explosão de blogs do período, que se tornaram fontes de informação e, em alguns casos, mais procuradas do que os meios de comunicação tradicionais. Todo esse processo pode ser acompanhado nas páginas do livro ‘Blog, Entenda a Revolução’, de Hugh Hewitt, que me foi sugerido pelo mestre Carlos Nepomuceno, citado pelo Maurício Louro no post anterior.

A Blogsfera norte-americana passou a ser desqualificada e chamada de “bando de jornalistas e blogueiros de pijama” pela mídia tradicional. Mas a rapidez da internet e a credibilidade e velocidade da informação e opinião dos blogs falaram mais alto, com vários veículos de comunicação consagrados tendo que se render a essa realidade.

Hoje o lead no jornalismo não pode ser mais escondido. Mas se for, terá alguém para gritar contra, tentar contar a verdade. E se esse alguém tiver muitos seguidores em seu blog, pobre de quem quer esconder o lead. Se uma empresa não cumprir o que promete, sempre haverá alguém para contar a outros consumidores insatisfeitos no twitter ou no orkut o que aquela empresa fez. Um setor de relacionamento ao cliente em que a sua reclamação é conhecida por outros clientes. Pobre da empresa. Isso é revolução. A web é a nova impressora com tipos móveis e o novo Martinho Lutero pode ser qualquer um de nós.

Conhecimento x Técnica

fevereiro 10, 2010

Quando um novo mundo se abre, abrem-se novos caminhos

Quando um novo mundo se abre, abrem-se novos caminhos

Por Maurício Louro

O que mais me motivou a migrar definitivamente para a web foi perceber que, para atuar nesse meio, seria preciso correr em busca de conhecimento. Não digo técnica, mas conhecimento. Pensar a produção de conteúdo para a web nos leva à compreensão de conceitos, o que nos levará ao conhecimento.

As redações, de qualquer tipo, estão repletas de feras, jornalistas cascudos donos de suas verdades, de suas técnicas. Porém, a utilidade dessas figuras, arrisco dizer, está com os dias contados. Alguns mais inteligentes, porém preguiçosos, têm uma certa visão da mudança irremediável. Mas fazem vista grossa ou tentam se apoderar do novo meio sem, no entanto, fazer algum esforço para compreendê-lo.

A uma certa altura do livro ‘O Conhecimento em Rede’(Editora Campus), de Marcos Cavalcanti e Carlos Nepomucemo – quero falar sobre essa publicação em outro post -, os autores analisam as reações às possibilidades geradas por um novo meio de comunicação. “Há sempre uma primeira tentativa de utilizar o novo meio como se fosse o anterior”, ou “um grupo conservador tentará minimizar o potencial do novo meio”.

Estão corretíssimos os autores. E isso se deve sobretudo ao  desconhecimento por parte daqueles que deveriam estar à frente no uso do conhecimento. Notícia é notícia, e isso não mudará jamais. Porém, algumas regras do jogo mudaram ou perderam a razão de ser. É difícil para um jornalista cascudo dar de cara com a experiência de não ser mais a estrela do negócio.

Há muito para aprender, mas já sabemos que, se notícia é notícia, é a relevância que vai se sobrepor a ela. E em se tratando de web, não serão os cascudos que irão dizer o que é relevante. Principalmente se entendermos que uma das palavras-chaves da web é compartilhamento.

As fontes não são mais as mesmas, a audiência se rebelou e vai aonde quiser. Deus está solto na web