Sou Mais Web 12 – Esporte e Internet
No último dia 5 de dezembro, a equipe da Luneta Digital esteve presente na 12ª edição do Sou Mais Web, evento que reúne mensalmente profissionais do mercado de mídias digitais/sociais. Se você ainda não o conhece, sugerimos que passe a frequentar, não apenas pela qualidade dos debates, mas porque trata-se de um dos poucos eventos regulares que promovem a reflexão sobre internet no Rio de Janeiro.
Pois esta última edição do ano contou com um tema bastante popular especialmente no Brasil. E mais especialmente ainda na semana que decidiu o Campeonato Brasileiro de futebol: Esporte e Internet. Os convidados do dia eram Márcio Mac Culloch Jr (coordenador de projetos no Globo Online), Cassio Brandão (Gerente de Novas Mídias da ESPN) e Maurício Louro, editor do LANCENET! e sócio aqui da Luneta. Fechando a mesa, a mediadora Cris Dissat, criadora e editora do blog Fim de Jogo.

Como todo Sou Mais Web, este começou com uma breve exposição dos presentes sobre seus trabalhos e seus conceitos sobre utilização da internet como veículo de interação no dia a dia da cobertura. Pelo perfi dos presentes, os dois primeiros falando do ponto de vista de produto e o terceiro lembrando como é o trabalho diário dentro da redação.
Basicamente, havia um ponto em comum nas explanações: dentro das empresas, ainda ocorre um processo de mudança cultural dos profissionais de comunicação. Especialmente naquelas originalmente nascidas de outras mídias (caso das três representadas no evento), há uma percepção de que a internet é um meio, um ambiente “menor” que os seus pares. Curioso é perceber que essa reação não vem apenas de diretores preocupados com o retorno financeiro daquele investimento, mas também de jornalistas que vivem o dia a dia das redações. Deu pra entender? São profissionais, estudantes etc, em tese e com muitas aspas, “especializados em comunicação” que desprezam a força de um meio que permite interação, debate, exercício pleno de… comunicação(!). Como eu mesmo disse durante o debate, chega a ser assustadora essa conclusão: temos comunicólogos que desprezam o poder de um meio de comunicação dos mais poderosos antes mesmo de conhecê-lo. E lembremos ainda de um agravante, levantado pela professora da Facha, Letícia Base, sentada ao meu lado na palestra: “E eles são formadores de opinião”. Com o que concordo plenamente.
Em dado momento, ainda tentou-se compreender porque isso acontece. Depois de ver algumas questões levantadas, acredito que haja basicamente dois motivos, que enumero em seguida:
1. Deficiência na formação: eu sou jornalista formado pela Uerj, onde estudei durante quatro anos. Foram oito semestres, cada um com cinco ou seis disciplinas em média, exceção feita ao último período, dedicado apenas à monografia. Somando todas as disciplinas dedicadas a internet, percebo que tive um total de 1 (UMA!) voltada a web. E isso não é uma crítica à Uerj, de forma alguma. Fiz uma pesquisa recentemente para uma palestra e percebi que o cenário é parecido nas principais faculdades do Rio de Janeiro. Ou seja, os alunos deixam a universidade sem um contato mínimo com a internet como meio de comunicação. Ela é tratada como um ambiente lúdico, onde vê vídeos no youtube, se brinca em redes sociais, se conversa pelo Messenger. Ou seja, eu falei mais de internet nas aulas de teoria da comunicação do que na prática. Mas de uma forma muito abrangente e pouco “internet”. De prático, no que se refere à utilização da web como meio de comunicação, não há nada. Essas lições eu tive em um estágio extra-curricular no Laboratório de vídeo da Universidade.
2. Vaidade: essa foi levantada pelo companheiro de Luneta, Maurício Louro. Existe uma vontade, um orgulho de mostrar a amigo, parentes etc, o nome em uma matéria assinada no papel. É um tipo de reconhecimento que na internet ainda não tem valor. Talvez por não se poder carregar embaixo do braço, talvez por ser tratado dentro das próprias empresas como algo inferior, talvez por qualquer outra razão. O fato é que o jornal, a TV e o Rádio possuem um certo glamour que a internet ainda não conquistou. Mas está caminhando para isso. As próximas gerações já terão uma percepção diferente sobre web. Poderão não apenas ler o que os repórteres escrevem, mas interagir com eles, seguí-los/adicioná-los/questioná-los/elogiá-los em redes sociais, como se os conhecessem de uma caminhada pelas ruas ou um passeio pelo shopping.
Desculpem-me pelo texto longo, mas a ocasião merece. Ainda há mais o que se falar sobre o Sou Mais Web. Mas a questão que mais mexeu comigo deixei para outro post.
Vejo vocês lá.
(Ver, Luneta… entenderam o trocadilho? Hã, hã?)
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